quinta-feira, 28 de outubro de 2010

ATÉ ONDE IRÃO OS HERDEIROS DE 1964?


Matéria com ficha falsa de Dilma
O trabalho da grande mídia nestas eleições foi um dos mais sórdidos desde a campanha contra o governo de Jango Goulart, em 1964. Superou até a campanha presidencial de 1989, cujo ápice foram os relatos jornalísticos sobre material de propaganda política do PT que teriam sido encontrados com os sequestradores de Abílio Diniz. Na época, o jornal O Rio Branco, do Acre, chegou a manchetar: "PT sequestra Abílio Diniz". Os desmentidos só vieram depois da vitória de Collor no segundo turno. Na campanha atual, o denuncismo implacável contra apenas um lado expressou uma articulada operação de desinformação e manipulação jornalistica capitaneada pelos grandes veículos de comunicação do país - Veja, Folha, Estadão e Globo.
Agora, às vésperas da eleição, há rumores de que se prepara um último golpe midiático - a "bala de prata" - para reverter o favoritismo de Dilma Rousseff e favorecer a candidatura oposicionista. A operação seria desencadeada na sexta-feira (29) quando a propaganda eleitoral tiver sido encerrada, eliminando-se possibilidade de resposta. O que seria? O depoimento de um ex-militante arrependido revelando os "segredos do terror"? Baderneiros vestidos com camisetas do PT provocando violência no comício tucano? Edição do debate pela Globo?

Pode parecer teoria da conspiração  - no creo en brujas, mas que las hay, las hay. Disposição e recursos existem. Recomendo ver dois vídeos didáticos sobre o comportamento da grande mídia em eventos que levaram à tentativa de golpe contra Hugo Chávez em 2002. Na Venezuela, os meios de comunicação desempenhram, pela primeira vez, o papel de protagonistas do golpe, levando os militares a reboque, invertendo a fórmula tradicional da América Latina. Aqui ainda não chegamos neste estágio "avançado" do que certos analistas denominam como "Midiático Poder". Mas já demos passos gigantescos nesta direção.  

Puente Llaguno
 La Revolución no será televisionada

O Globo saúda golpe como "democracia" em abril de 1964 O

Os barões da mídia que hoje batem no peito em defesa da democracia e a liberdade de expressão são os herdeiros daqueles que, em 1964, apoiaram furiosamente a derrubada de um governo constitucional e a implantação de um regime de exceção - que eles esperavam breve, mas que durou longos 21 anos.

Reproduzo, aqui, um trecho do blog do Emir Sader sobre a grande mídia e o golpe de 64:

"As famílias Frias, Mesquita, Marinho, entre outras, participaram ativamente, no momento mais determinante da história brasileira, do lado da ditadura e não na defesa da democracia. Acobertaram a repressão, seja publicando as versões mentirosas da ditadura sobre a prisão, a tortura, o assassinato dos opositores, como também – no caso da FSP -, emprestando carros da empresa para acobertar ações criminais os órgãos repressivos da ditadura. (O livro de Beatriz Kushnir, “Os cães de guarda”, da Editora Boitempo, relata com detalhes esse episódio e outros do papel da mídia em conivência e apoio à ditadura militar.)

No momento mais importante da história brasileira, a mídia monopolista esteve do lado da ditadura, contra a democracia. Querem agora usar processos feitos pela ditadura militar como se provassem algo contra os que lutaram contra ela e foram presos e torturados. É como se se usassem dados do nazismo sobre judeus, comunistas e ciganos vitimas dos campos de concentração. É como se se usassem dados do fascismo italiano a respeito dos membros da resistência italiana. É como se se usassem dados do fraquismo sobre o comportamento dos republicanos, como Garcia Lorca, presos e seviciados pelo regime. É como se se usasse os processos do governo de Vichy como testemunha contra os resistentes franceses.

Carros da Folha serviam aos órgãos de repressão

Aqueles que participaram do golpe e da ditadura foram agraciados com a anistia feita pela ditadura, para limpar suas responsabilidades. Assim não houve processo contra o empréstimo de viaturas pela FSP à Operação Bandeirantes. O silêncio da família Frias diante da acusações públicas, apoiadas em provas irrefutáveis, é uma confissão de culpa.
Estamos próximos de termos uma presidente mulher, que participou da resistência à ditadura e que foi torturada pelos agentes do regime de terror instaurado no país, com o apoio da mídia monopolista. Parece-lhes insuportável moralmente e de fato o é. A figura de Dilma é para eles uma acusação permanente, pela dignidade que ela representa, pela sua trajetória, pelos valores que ela representa.

Onde estava cada um em 1964? Essa a questão chave para definir quem é quem na democracia brasileira.

Veja a postagem completa:
http://www.cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=1&post_id=594

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