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Antônio Gramsci |
Em janeiro comemoram-se os 120 anos de nascimento de Antônio Gramsci, fundador do Partido Comunista Italiano (PCI), pensador e dirigente marxista original e fecundo; e os 90 anos de fundação do PCI, que chegou a ser o maior partido comunista do Ocidente - o que assustava Washington - e o mais independente da "linha justa" soviética - o que incomodava Moscou. Gramsci foi um dos primeiros a perceber a originalidade da Revolução Bolchevique de 1917 ao escrever que ela era uma "revolução contra O Capital" de Karl Marx - uma crítica aos marxistas ortodoxos que, fazendo uma leitura dogmática da obra do pensador alemão, diziam que uma revolução socialista só poderia ocorrer em países capitalistas economicamente avançados. Mas, fundamentalmente, Gramsci percebeu que, nas sociedades ocidentais, uma transformação socialista só seria possível com uma estratégia totalmente diferente daquela utilizada pelos bolcheviques na Rússia: lá, o Estado era forte e a sociedade civil, gelatinosa; então, impunha-se uma "guerra de movimento"; em outras palavras, o assalto violento ao poder. No Ocidente, ao contrário, havia uma vigorosa sociedade civil e o Estado era mais poroso; fazia-se necessário, então, travar uma "guerra de posições" - construir consensos para se estabelecer a hegemonia ideológica das classes subalternas na sociedade civil antes de se lançar à conquista do poder político. Uma formulação que soava quase como uma subversão dos cânones marxistas-leninistas emanados de Moscou, mas que depois se mostrou muito mais eficaz para as lutas operárias no contexto europeu ocidental do que as teses economicistas da III Internacional. Aprisionado pelo fascismo, Gramsci amargou nove anos no cárcere, onde aprofundou suas reflexões teóricas ("Cadernos do Cárcere") e morreu logo depois de ter sido libertado, em 1937. Não fosse por isso, certamente ele teria sido uma das vítimas dos expurgos stalinistas.


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