segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

O QUE PODEMOS APRENDER COM OS AMERICANOS

Dilma Rousseff e o sendor John McCain
 Circulam rumores de que a presidente Dilma Rousseff estaria revendo algumas prioridades estabelecidas no governo Lula na área de Defesa com vistas a melhorar as relações do Brasil com os Estados Unidos. Um dos sintomas dessa suposta nova postura da diplomacia brasileira seria a suspensão do projeto FX-2, de compra de 36 caças para a Força Aérea Brasileira (FAB), e de 11 navios de patrulha oceânica para a Marinha, que atuariam na proteção da área do Pré-Sal.

O caça americano F-18 Super Hornet
Comenta-se que, no caso dos caças, o Planalto poderia topar comprar os F-18 Super Hornet americanos em troca da garantia do Congresso de transferência de tecnologia e da queda das barreiras alfandegárias contra a exportação de etanol aos EUA. O fato de a compra dos caças ter passado para o controle do Ministério da Indústria seria uma sinalização dessa estratégia, cujos contornos ainda não estão claros. A conversa de Dilma com o senador John McCain também teria tratado disso. Mas dá pra confiar na boa vontade dos americanos, que jamais, em tempo algum, transferiram tecnologia militar sensível, nem sequer para seus aliados da Otan? Acreditar nisso seria abdicar de nossa estratégia de defesa tão penosamente construída pelo governo Lula. Quem garante que, depois disso, não viriam novas exigências de Tio Sam, como, por exemplo, a assinatura do protocolo adicional do Tratado de Não-Proliferação Nucler (TNP) em troca, que sabe, de uma cadeira permanente num Conselho de Segurança da ONU devidamente desidratado? Convenhamos, seria muita ingenuidade supor que o Congresso ou o governo dos EUA se disporiam a enfrentar o poderoso lobby dos produtores de etanol americano a dois anos das eleições gerais. Quem se lembra do unilateralismo da proposta da Alca?  

Seria melhor mirarmos-nos no exemplo dos americanos da escola realista, como Theodore Roosevelt - aquele do "fale macio, mas carregue um grande porrete" -, que sempre souberam colocar o interesse nacional acima de qualquer ingenuidade moralista. 
            
"Não estou disposto ao papel que até mesmo Esopo ridicularizou quando escreveu que os lobos e os cordeiros concordaram em desarmar-se. Os cordeiros como prova de boa fé dispensaram os cães de guarda e foram comido pelos lobos [...]


"Ainda não há possibilidade de se estabelecer um poder internacional... efetivamente capaz de enfrentar o mal, e sendo assim é uma tolice, é péssimo para uma nação grande e livre, privar-se do poder de proteger seus próprios direitos [...] Nada ajudaria mais a iniquidade... do que os povos livres e esclarecidos... deliberadamente tornarem-se impotentes, deixando armados despostismos e barbarismos de toda espécie.

[...]

Theodore Roosevelt
"Considero abominável a atitude [...] de confiar em fantásticos tratados de paz, em promessas impossíveis, em todos os tipos de pedaços de papel sem nenhum apoio de força eficaz. É infinitamente melhor para uma nação e para o mundo manter em política externa as tradições de Frederico, o Grande, ou de Bismarck, que adotar a postura de Bryan ou Bryan-Wilson como posição nacional permanente... Uma integridade moral de água com açúcar, desamparada da força, é muitíssimo pior, muito mais nociva, que a força de todo divorciada da boa moral."

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