O Marechal do Ar Casimiro Montenegro Filho (1904-2000) é um dos personagens históricos mais esquecidos e injustiçados do Brasil. Pioneiro do Correio Aéreo Nacional (CAN), ele foi o responsável pela criação do CTA (Centro Tecnológico da Aeronáutica, hoje Centro Tecnológico Aeroespacial) e do ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica), que concebeu baseado na experiência do Massachusetts Institute of Technology (MIT). Numa época em que o Brasil importava quase tudo, Montenegro defendia que o país se convertesse em uma potência aeronáutica mundial.
Para viabilizar esse sonho, o então tenente-coronel Montenegro teve que enfrentar um amigo e colega de longa data, ninguém menos que Eduardo Gomes, contumaz reacionário, apesar de ter participado dos levantes tenentistas de 1922 e 1924 e da Revolução de 1930. Para Montenegro, o CTA/ITA deveria ser um celeiro de cérebros para o país, mas Eduardo Gomes achava que o complexo deveria se converter em um mero centro técnico de apoio e manutenção da FAB. Casimiro venceu a queda de braço e abriu caminho para transformar o CTA/ITA num dos mais respeitados centros mundiais de tecnologia, inovação e conhecimento.

Montenegro não caiu na tentação imediatista de implantar ele mesmo a indústria aeronáutica, preparando terreno para que outros pudessem fazê-lo. Seu sonho se materializaria depois de ele ter sido afastado da linha de frente, em 1969, com a fundação da Embraer, empresa nascida de uma costela do CTA/ITA.

Montenegro morreu aos 95 anos completamente esquecido. E, com toda essa contribuição sua à indústria aeroespacial brasileira, o brigadeiro Eduardo Gomes é que é o patrono da Aeronáutica...
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