sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

PADRES PARA A SACRISTIA!

“Que influência, de fato, as organizações eclesiásticas têm na sociedade? Em algumas instâncias elas têm sido vistas erigindo uma tirania espiritual sobre as ruínas da autoridade civil; em muitas instâncias elas têm sido vistas apoiando os tronos da tirania política; em nenhum caso elas têm sido as guardiãs das liberdades do povo. Os governantes que desejam subverter a liberdade pública podem ter achado o clero estabelecido um auxiliar conveniente. Um governo justo, instituído para assegurar e perpetuar a Justiça, não precisa deles
James Madison, A Memorial and Remonstrance (1785)





A História, eu creio, não fornece exemplo algum de um povo guiado por sacerdotes mantendo um governo civil livre. Isso marca o mais baixo grau de ignorância, do qual os seus lideres tanto políticos quanto religiosos vão sempre se aproveitar para seus próprios propósitos”
Thomas Jefferson ao Barão Von Humboldt (1813)




Um manifesto assinado por 67 bispos católicos aumentou o coro da direita contra o III Programa Nacional dos Direitos Humanos do governo federal. O texto ataca sugestões como a legalização do aborto, o casamento entre pessoas do mesmo sexo, o direito à adoção por casais homossexuais e a adoção de mecanismos para impedir a exibição de símbolos religiosos em estabelecimentos públicos como "imposição ideológica" do Estado. Significativamente, o manifesto não invoca a moral católica para investir contra o texto, mas a Declaração dos Direitos Humanos da ONU de 1948! E, mais significativamente ainda, entre os signatários estão tanto prelados conservadores quanto antigos "progressistas". (Dá vontade de parodiar o Júlio de Mesquita, que em plena ditadura dizia que a fórmula para se redemocratizar o país era obrigar que os militares ficassem nos quartéis e os padres nas sacristias).

Abalado pela liberação das pesquisas com células-tronco embrionárias pelo Supremo Tribunal Federal em 2008, o episcopado católico ganhou novo fôlego no ano passado com a aprovação, pelo Congresso, de uma Concordata entre o Estado brasileiro e o Vaticano, que concede privilégios à igreja de Roma e arranha a laicidade do Estado consagrada na Constituição. Depois disso, pressionado pelos evangélicos, o governo começou a preparar um estatuto para estender os privilégios concedidos à Igreja Católica a outras denominações religiosas. Vai ser uma farra!

Já que gostamos tanto do American way of life, deveríamos copiar o legado dos Foundation Fathers ("pais fundadores") da América. A começar pelo preceito de separação entre Estado e Igreja como garantia da liberdade religiosa. A primeira emenda da Constituição dos EUA estabelece que todos podem ter suas crenças, mas que o país jamais poderá ser governado por nenhuma delas. Nem mesmo a direita religiosa conseguiu mudar isso, apesar do esforço.
Aqui, as igrejas estão fazendo de tudo para sabotar o caráter laico do Estado. Eles estão travando o seu combate, mas nós, como cidadãos, não podemos aceitar essa chantagem religiosa. Ou seremos obrigados a obedecer à Bíblia em lugar da Constituição.

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