terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

ARGENTINA: A ORIGEM DAS ILUSÕES


"Os militares prestaram-lhe homenagem, com os sabres desembainhados. As mesmas pessoas que, tempos atrás, haviam ordenado a prisão como pena ao mero uso público de seu nome, e que haviam vetado seu partido em todas as eleições, estavam ali outra vez, abraçando-o e dando graças a Deus por tê-lo conservado saudável e inteiro, em condições de salvar a pátria"
Tomás Eloy Martínez, O Romance de Perón


"Ela é boa, ela é muito boa, repetem os cabecitas negras que invadem a cidade e acabam transfigurados em fungos e brumas venenosas. O terror que paira no ar não é o terror por Perón, mas por ela, que do fundo imortal da história arrasta os piores resíduos da barbárie. Evita é o retorno da horda, é o instinto antropófago da espécie, é a besta iletrada que irrompe, cega, na cristaleira da beleza"
Idem, Santa Evita



"Tomás Eloy Martínez escreveu a história de um país latino-americano autoenganado, que se imaginou europeu, racional, civilizado e um dia amanheceu sem ilusões, tão latino-americano quanto o México ou a Venezuela, tão brutalmente selvagem como seus ditadores militares, tão brutalmente corrupto como seus políticos, tão cego como todos ante às populações da miséria que foram chegando até as avenidas portenhas, onde hoje recolhem lixo à meia-noite para comer"
[...]

"A riqueza da cultura argentina contrasta com a pobreza de sua vida política e econômica - este é o enigma dessa grande nação, colocado uma e outra vez na obra de Tomás Eloy: Por que, tendo tudo, a Argentina acaba tendo nada? Por que, a cultura vigorosa e interrompida da República do Prata não lhe dá vigor e continuidade à sua vida política?"
Carlos Fuentes sobre o escritor argentino Tomás Eloy Martínez, morto em 1º de fevereiro

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