sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

O GRANDE FARSANTE

O Dalai Lama sempre aparece nas manchetes ocidentais como um velhinho sábio, simpático e corajoso. Há décadas, Tenzin Gyatso – esse é seu nome; "dalai lama" é um título religioso, como "papa" –, é incensado por governos, instituições e celebridades como apóstolo da não-violência, amante da paz e da democracia e líder de um povo esmagado pela opressão de um regime cruel e impiedoso. Tenzin Gyatso, a 14ª. "encarnação" do Dalai Lama, é chamado de "deus vivo" e até ganhou um Prêmio Nobel da Paz, em 1989.
Trata-se de uma das maiores farsas do nosso tempo. Foi uma mentira construída para enganar incautos e granjear apoio político ao separatismo do Tibete.
O contraponto ao domínio chinês no Tibete não é a democracia;, é a teocracia feudal da qual o Dalai Lama era o cabeça. Era um regime em que a propriedade da terra estava concentrada nas mãos da oligarquia clerical budista e laica, que controlava 93% da riqueza do Tibete. Já os camponeses (95% da população) eram mantidos em regime de servidão, só podiam cultivar as terras que os senhores determinassem, eram obrigados a pagar pesados impostos e sofriam castigos físicos medievais, atrocidades como amputação de mãos, chibatadas, flagelação e mutilações. Seus filhos - principalmente os do sexo feminino - podiam ser dispostos livremente pelos senhores.
Com a vitória da Revolução Chinesa de 1949, o novo regime inicialmente preservou a autonomia da província e o governo do atual Dalai Lama. Em 1951, o Exército chinês fez um acordo com a teocracia: Pequim mantinha a soberania (fronteiras e segurança), enquanto a elite local conservava seus privilégios. Mas os oligarcas começaram a conspirar, com o apoio da CIA. O governo central promoveu então uma reforma agrária e aboliu a servidão. O Dalai Lama liderou a revolta;, derrotado, exilou-se em 1959 na Índia.
O fim da teocracia escravista permitiu a redução da taxa de analfabetismo, a emancipação da mulher e o aumento da expectativa de vida dos tibetanos. É verdade que houve perseguição religiosa e destruição de templos na época da Revolução Cultural, mas as denúncias de genocídio contra os tibetanos foram manipuladas pela CIA no Ocidente.
As relações do "líder pacifista" com os órgãos de inteligência ocidental, aliás, são um capítulo à parte. De acordo com o historiador americano Jim Mann, ''durante os anos 1950 e 1960, a CIA apoiou ativamente a causa tibetana com armas, treinamento militar, dinheiro, apoio aéreo e todo o tipo de auxílio''. Outro estudioso das ações da CIA na Ásia, Michael Parenti, observou: "nos Estados Unidos, a Sociedade Americana Por uma Ásia Livre, uma fachada da CIA, propagandeou ferozmente a causa da resistência tibetana, com o irmão mais novo do dalai-lama, Thubtan Norbu, tendo um papel ativo nessa organização. Outro irmão também mais novo do dalai-lama, Gyalo Thondup, estabeleceu uma célula de operação de 'inteligência' com a CIA em 1951 (embora o apoio oficial da agência tenha sido estabelecido somente em 1956). Mais tarde, essa célula foi treinada e transformada em uma unidade de guerrilha da CIA, tendo seus recrutas sendo lançados por paraquedas no Tibete''. Documentos da inteligência americana liberados em 1998 revelam que o movimento tibetano no exílio recebeu cerca de US$ 1,7 milhão por ano, na década de 1960, para operações contra a China, enquanto US$ 180 mil anuais foram pagos ao dalai-lama.
Em 1979, durante o governo Jimmy Carter, o ''pacifista'' dalai lama obteve um visto de entrada nos EUA. A ''causa tibetana'' encontrou então novos patrocinadores, com representantes do Congresso americano trabalhando junto com os separatistas tibetanos para atrair a atenção dos governos do mundo pela ''questão tibetana''. Hoje, a ajuda financeira e política aos exilados tibetanos parte de um poderoso braço da CIA, a National Endowment for Democracy, organismo criado em 1984 na administração Reagan para patrocinar e subsidiar movimentos pró-americanos no mundo.
Que a China é uma ditadura, todo mundo está careca de saber. Mas que o dalai lama e seus acólitos representem uma opção democrática à dominação de Pequim, é uma balela montada pela CIA na época da Guerra Fria e que perdura até hoje. E uma farsa tão grotesca que permite ao regime chinês tripudiar sobre os americanos: na visita do dalai lama à Casa Branca, eles lembraram que Abraham Lincoln acabou com a escravidão e sufocou o separatismo nos EUA, assim como os comunistas se arvoram ter feito no Tibete. Obama poderia ter ficado sem essa...

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