quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

AS SEMENTES DO ÓDIO: O VOLKSGEIST CONTRA A RAZÃO

"Uma vez que [segundo os filósofos tradicionalistas] o homem é obra de sua nação, é produto de seu meio ambiente, a humanidade deve se declinar no plural: ela não é senão a soma dos particularismos que povoam a Terra. E (Joseph) De Maistre une-se a Herder: 'As nações têm uma alma geral e uma verdadeira unidade moral que as constituem no que são. Essa unidade é sobretudo anunciada pela língua'"
[...]
"Teocratas querem salvar o mundo deste desastre fundamental - a dissolução do direito divino, mas o que chamam Deus não é mais o Ser supremo, é a razão coletiva. Identificado à tradição, garantido no espírito de cada povo, esse Deus abandonou a região celeste no Soberano Bem pelas regiões obscuras e subterrâneas do inconsciente. Está, daqui em diante, situado aquém, e não mais além, da inteligência humana e orienta as ações, modela o pensamento de todos sem que o saibam, em vez de, como fazia seu homônimo, comunicar-se com as criaturas por via da Revelação. Deus falava ao homem uma língua universal, doravante fala nele a língua de sua nação".
Alain Finkielkraut, A Derrota do Pensamento


No cinema, a melhor tradução da apropriação desse Volksgeist (espírito de um povo) pelo nazismo está nesta cena do filme Cabaret (1972), de Bob Fosse: http://youtube.com/watch?v=LNMVMNmrqJE

(prestem atenção no velhinho, o único em direção contrária e obstinada em meio à multidão de ovelhas ferozes...)

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