terça-feira, 10 de novembro de 2009

QUEM DERRUBOU O MURO?




Em 9 de novembro de 1989, o Muro de Berlim veio abaixo, pondo fim ao sombrio período da Guerra Fria. Duas décadas depois, soam panglossianas as profecias de que o colapso do bloco soviético e a globalização trariam o fim da História, com o triunfo do livre mercado e da democracia. A ascensão do jihadismo, a crise econômica de 2008 e a exuberância da China comunista desfizeram essa ilusão. Agora, um jornalista americano revela quem foram os verdadeiros protagonistas daqueles eventos históricos. No livro 1989: o ano que mudou o mundo, o então chefe da sucursal da Newsweek no Leste europeu, Michael Meyer, mostra que a queda do Muro não ocorreu só por causa das manifestações populares, muito menos em função da pressão americana. Pesaram mais a decisão de Mikhail Gorbatchóv de não intervir para salvar o regime de Erich Honecker e a ação dos reformistas húngaros liderados por Miklos Nemeth, que abriram a fronteira da Hungria com a Áustria, possibilitando que milhares de alemães orientais fugissem em massa para a Alemanha Ocidental.
Meyer não fala de João Paulo II - a quem o santarrão antissemita Lech Walesa atribui agora todos os méritos pela queda do Muro. O pontífice, de fato, foi importante, mas sua ação foi limitada à sua Polônia natal. O coração do bloco soviético sempre foi a Alemanha Oriental.

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