sexta-feira, 13 de novembro de 2009

O INFERNO E "LA PERDUTA GENTE"


Per me si va ne la città dolente,
Per me si va ne l'etterno dolore,
per me si tra la perduta gente.

(Vai-se por mim à cidade dolente,
Vai-se por mim à eterna dor,
Vai-se por mim entre a perdida gente)
Dinazi a me non fuor cose create
se non etterne, e io etterna duro.
Lasciate ogne speranza, voi ch'intrate.

(Antes de mim não foi criado mais
nada senão eterno, e eterna eu duro.
Deixai toda esperança, ó vós que entrais.)
(Dante Alighieri, A Divina Comédia, Inferno, Canto III)


Até logo, até logo, companheiro,
Guarto-te no meu peito e te asseguro
O nosso afastamento é passageiro
É um sinal de um encontro no futuro.

Adeus, amigo, sem mãos nem palavras.
Não faças um sobrolho pensativo.
Se morrer, nesta vida, não é novo,
Tampouco há novidade em estar vivo.
(Sierguéi Iessiênin, 1924, bilhete escrito com sangue do próprio pulso, a Maiacovsky)


É preciso
arrancar alegria
ao futuro.

Nesta vida
morrer não é difícil
O difícil
é a vida e seu ofício
(Vladimir Maiacovsky, "A Sierguéi Iessiênin") Ele também se suicidaria, em 1930

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