sexta-feira, 27 de maio de 2011

UM BODE TENEBROSO

Há 50 anos era assassinado o ditador dominicano Rafael Leónidas Trujillo Molina (1891-1961), que chegou ao poder em 1930 com o apoio dos EUA e cujo assassinato, ironicamente, teve a colaboração da CIA. “El Benefactor” (benfeitor), ou “El Jefe”, como gostava de ser chamado, governou a República Dominicana como se fosse sua fazenda particular – sua família chegou a ser proprietária de 70% das terras cultivadas. O culto à sua personalidade também foi um marco do regime: a capital do país, São Domingos, a mais antiga cidade das Américas, fundada pelo irmão de Cristóvão Colombo, Bartolomeu, foi rebatizada de Ciudad Trujillo. Mas o pior de tudo foram os 30 anos de ditadura, que transformaram a República Dominicana um dos países mais sangrentos da América Latina. Calcula-se que 50 mil pessoas tenham sido assassinadas; inclusive entre 20 mil e 30 mil haitianos em 1937, no infame massacre de Parsley. O controle do “generalíssimo” sobre o país era absoluto, em grande parte coordenado pelo SIM, serviço de inteligência militar da ditadura. Profundamente católico e ardentemente anticomunista, Trujillo se inspirava no ditador espanhol Francisco Franco, “caudillo de España por la graça de Diós”. Curiosamente, o ditador dominicano foi um grande defensor do meio ambiente, criando parques nacionais e proibindo os métodos de desmatamento para atividades agrícolas. Sobre o Benfeitor, o secretário de Estado americano, Cordell Hull, teria dito a frase “ele pode ser um filho da puta, mas é nosso filho da puta”.

O carro do ditador, alvejado a tiros
Quando John Kennedy assumiu o poder nos EUA, em 1961, os americanos perceberam que teriam que se livrar do velho aliado se quissessem ter argumentos sólidos para combater a Revolução Cubana. A CIA fez contato com alguns dos conspiradores e secretamente lhes enviou armas. Em 30 de maio de 1961 Rafael Trujillo morreu assassinado a tiros numa rua de São Domingos. O filho do ditador, Ramfis, assumiu o poder e quase todos os assassinos e seus familiares foram torturados; vários se suicidaram. Em outubro de 1961, os seis últimos assassinos de Trujillo foram levados para uma fazenda da família e jogados aos tubarões em uma praia próxima. Nas décadas seguintes, o país seria dominado pela figura de Joaquín Balaguer, ex-aliado de Trujillo metamorfoseado em "líder democrata".


A Festa do Bode, do escritor peruano Mario Vargas Llosa, descreve maravilhosamente a conspiração que eliminou Leónidas Rafael Trujillo.



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