segunda-feira, 21 de março de 2011

ALGUMAS QUESTÕES, MUITAS DÚVIDAS E NENHUMA RESPOSTA


Benito Juárez
Uma postagem do meu amigo João Bittar, no Facebook, sobre Benito Juárez, me levou a fazer algumas reflexões inconclusas:


“O princípio de não-intervenção é uma das primeiras obrigações dos governos, é o respeito devido à liberdade dos povos e aos direitos das nações”.

“Os governos civis não devem ter religião, porque sendo seu dever proteger a liberdade que os governados têm de praticar a religião que prefiram, não manteriam fielmente esse dever se fossem sectários de alguma delas”

“Livre e para mim sagrado, é o direito de pensar... A educação é fundamental para a felicidade social; é o princípio em que descansam a liberdade e o engradecimento dos povos”


“Os homens não são nada, os princípios são tudo”
(BENITO JUÁREZ)

Fuzilamento de Maximiliano - Eduard Manet
Benito Pablo Juárez García (San Pablo de Guelatao, Oaxaca, 21 de março de 1806 – Cidade do México, 18 de julho de 1872) foi um estadista liberal mexicano que serviu cinco períodos como presidente do México: 1858–1861 como interino; 1861–1865; 1865–1867; 1867–1871, e 1871–1872. Ele governou o país sob o estigma da guerra mexicano-americana (1846-1848), que custou ao México metade do seu território. Para fortalecer o país, Juárez separou a Igreja do Estado e suspendeu o pagamento da dívida externa - o que forneceu à França uma escusa para invadir o México. Por resistir à ocupação, derrubar e fuzilar o imperador Maximiliano - um príncipe Habsburgo da Áustria imposto por Napoleão III - e restaurar a República, assim como por seus esforços em modernizar o país, Juárez é tido como o maior líder político mexicano. Ele recebeu considerável ajuda norte-americana em dinheiro e armas, fornecidas porque o II Império francês não agradava aos interesses dos EUA. Juárez foi o primeiro líder mexicano a não ter passado militar e também o primeiro indígena a servir como presidente do México e a comandar um país ocidental em 300 anos.

Assinaria embaixo todas as frases citadas de Juárez, à exceção da última. "Os homens não são nada; os princípios são tudo" tem um significado inicial iluminista de que os valores universais estão acima das contingências históricas e dos homens concretos. Mas essa máxima acabou sendo manipulada por tiranos de diversos matizes, de Robespierre durante o Grande Terror, a Hitler, Stálin e Pol Pot, para justificar seus crimes em nome de interesses superiores - a razão, a raça, a humanidade... Tal distorção levou muitos filósfos ao niilismo e à crítica da supremacia da Razão nas sociedades. 

Protágoras
Isso me remete aos sofistas da Grécia Antiga, que diziam que "o homem é a medida de todas as coisas" (Protágoras). A escola sofista, aliás, carrega uma má fama até hoje por ter sido vilipendidada por Platão - aquele pensador que achava que o Estado só poderia ser dirigido por reis filósofos e que os sofistas eram farsantes. Mas, na verdade, os sofistas lutavam contra a injustiça e foram os verdadeiros guardiões da democracia. Um deles, Trasímaco, interlocutor de Platão na República, criticava duramente a moral, a justificação do poder e o esforço para legitimá-lo e transformar a força em Direito. Para Trasímaco, as leis encobriam interesses particulares camuflados sob o véu do "interesse geral".

Depois dos sofistas, o grande orador Cícero também advertia aos romanos para os perigos de virtuosos como Catão, o censor, que não titubeavam em exigir o esmagamento das liberdades dos cidadãos para manter a pureza dos princípios. O preço da virtude cívica, muitas vezes, é o sangue dos inocentes.

Acontece que valores universais - direitos humanos, por exemplo - são imprescindíveis para sairmos do estágio da barbárie. Como, entretanto, conciliá-los com um relativismo pragmático, sem cair no oposto do multiculturalismo, que igualmente justifica atrocidades, mas desta vez em nome da singularidade dos povos? 
      

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