domingo, 6 de fevereiro de 2011

HENRY FORD E O BIGODE DE HITLER


Para Ford, bolchevismo é coisa de judeus
Os ideólogos do império americano e seus aliados costumam associar o antissemitismo ao antiamericanismo. É uma tentativa de calar ou desmoralizar qualquer crítica à política externa de Washington e de Israel no Oriente Médio, criando "afinidades eletivas" entre os opositores dessa política - incluídos os palestinos - e os acólitos de Hitler e do nazismo. A esse respeito, convém ouvir o filósofo italiano Domenico Losurdo:
"[é preciso] ter presente a influência que, também na questão do antissemistismo, os Estados Unidos exerceram sobre a Alemanha. Logo depois de outubro de 1917, Henry Ford, o magnata da indústria automobilística, empenha-se em denunciar a Revolução Bolchevique como o resultado do complô judeu e, para isso, funda uma revista de grande tiragem, The Dearborn Independent. Os artigos nela publicados são reunidos em novembro de 1920 em um volume, O Judeu Internacional, que logo se torna um ponto de referência do antissemitismo internacional. [...] É verdade que depois de algum tempo Ford é obrigado a calar sua campanha, mas o livro já fora traduzido na Alemanha, onde obteve extraordinário sucesso. Mais tarde, hierarcas nazistas de primeiro plano como Von Schirach e Himmler dirão ter-se inspirado no magnata da indústria automobilística americana ou ter partido dele. Himmler, em particular, conta que compreendeu 'a periculosidade do judaísmo' apenas a partir de Ford: 'para os nacional-socialistas foi uma revelação'. Seguiu depois a leitura dos Protocolos dos Sábios de Sião: 'Esses dois livros nos indicaram o caminho a percorrer para libertar a humanidade afligida pelo maior inimigo de todos os tempos, o judeu internacional'(nota-se a fórmula cara a Henry Ford). E, esses dois livros, sempre segundo Himmler, teriam desempenhado um papel 'decisivo' também na formação do Führer.

Hitler se inspirou em Henry Ford
[...] a tese formulada por ele (Ford) já em 1920, segundo a qual a veridicidade dos Protocolos é demonstrada pelo papel obscuro e infame desempenhado pelos judeus durante a guerra - e sobretudo por ocasião das convulsões da Rússia ('a Revolução Russa é de origem racial, não política', e ela, servindo-se de palavras de ordem humanitárias e socialistas, exprime na realidade uma 'aspiração racial ao domínio  mundial', nas palavras de Ford)-, não pode não ter um impacto particularmente devastador em um país como a Alemanha, que sofreu a derrota (de 1918) e se sentia ainda ameaçada pela revolução. O Judeu Internacional (o livro) aparece como iluminação fulgurante para o movimento chauvinista, revanchista e antissemita que cresce pavorosamente."
Domenico Losurdo, A Linguagem do Império - Léxico da Ideologia Americana   

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