quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

A PROPÓSITO DE NADA...E DE TUDO!


General Millán-Astray
Como jornalista, me acostumei aos condicionamentos da profissão. Um deles é que tudo que merece ser publicado deve ter um "gancho" - proximidade com os fatos do cotidiano ou, pelo menos, alguma referência relevante a eles, como efemérides etc. Mas a blogosfera nos dá a liberdade - e a temeridade - de se escrever livremente sobre o que se deseja, sem se prender a essas amarras. Então, me deu na veneta publicar algo sobre um episódio ocorrido com Don Miguel de Unamuno, intelectual espanhol da famosa Generación del 98, autor de uma obra filosófica e literária notável - na qual se destaca O sentimento trágico da vida. Embora politicamente fosse um conservador, quase um reacionário, Unamuno se revelou de uma integridade democrática inatacável ao desafiar a força das baionetas para defender suas convicções.

Miguel de Unamuno (1864-1936)
Universidade de Salamanca (Espanha), 12 de outubro de 1936. Início da Guerra Civil espanhola entre republicanos e fascistas liderados pelo general Francisco Franco. Na cerimônia, o reitor Miguel de Unamuno, que havia apoiado a rebelião franquista, faz duras críticas aos rebeldes. "Vencer não é convencer e há que se convencer, sobretudo, e o ódio que não dá lugar à compaixão não pode convencer", diz Unamuno. O general franquista José Millán-Astray, ex-comandante da Legião Estrangeira espanhola e autor do insólito slogan "Viva a Morte!", grita: "Morte à inteligência!". Irado, Unamuno responde: "Este é um templo da inteligência! E eu sou seu supremo sacerdote! Vocês estão profanando seu recinto sagrado. Eu sempre fui, diga o que diga o provérbio, um profeta em meu próprio país. Vencereis mas não convencereis. Vencereis porque tendes força bruta, mas não convecereis porque convencer significa persuadir. E para persuadir necessitais de algo que não tendes: razão e direito na luta!". Unamuno foi destituído do cargo de reitor e morreria em 31 de dezembro daquele ano.

 

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