quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

ENQUANTO ISSO, NA ARGENTINA


Os canalhas também envelhecem
O ex-ditador e ex-general argentino Jorge Rafael Videla (1976-81) foi condenado à prisão perpétua, por assassinato de opositores e outros crimes contra a humanidade, depois de julgamento na Província de Córdoba - palco, no passado, de vários fuzilamentos. Junto com o ex-presidente, outros acusados foram julgados pelo assassinato de 31 presos da Unidade Penitenciária San Martín de Córdoba, conhecida como UP1, e pelo sequestro e tortura de seis pessoas acusadas pelo regime de estarem "infiltradas em organizações revolucionárias", em 1976. Um dia antes, outros 15 torturadores tinham sido condenados à prisão perpétua por tribunais de Buenos Aires e Mar del Plata.


Videla, de 85 anos, já havia sido condenado à prisão perpétua em 1985, durante o processo histórico contra as juntas militares por crimes cometidos durante a ditadura (1976-1983), que resultaram em 30 mil desaparecidos. A pena dos chefes militares foi anulada em 1990 por decreto do então presidente Carlos Menem; mas o induto foi declarado inconstitucional em 2007, decisão que foi confirmada pela Corte Suprema em abril passado. O tribunal também suprimiu, em 2005, a lei de anistia para os crimes da ditadura. Só neste ano, a Argentina condenou 89 repressores; 47 deles à prisão perpétua. Entre os condenados está o ex-general Luciano Benjamin Menendez, antigo chefe do III Corpo do Exército, que agora acumula cinco condenações à prisão perpétua.

Em declaração ao tribunal de Córdoba antes do veredicto, o ex-ditador não só assumiu toda a responsabilidade pelos atos do "Processo" como qualificou os crimes dos militares como "guerra justa". "Os inimigos de ontem cumpriram o seu propósito, já que hoje governam o país", disse o psicopata assassino.

Uma das melhores radiografias de Videla está no livro El Dictador, de María Seoane e Vicente Muleiro (2001):

Jorge Rafael Videla não perdoa e não aprende
"'A solução final' argentina que Videla havia proposto ao governo de Isabelita Perón e que depois dirigiu com Massera e Agosti se assentou num tripé constituído pela tortura como arma eficaz 'porque essa foi uma guerra de inteligência' (Videla), a transformação dos prisioneiros em desaparecidos que não têm entidade, não estão vivos nem mortos, são desaparecidos, e a construção de campos clandestinos de detenção como instituição central de poder ditatorial. Esse tripé se montou primeiro no ato sedicioso de derrubar um governo constitucional e, em seguida, na construção de um poder diurno e outro noturno. O Exército diurno se preparava para guerrear com o Chile ou 'recuperar' as Malvinas e cumpriria com as formalidades do Estado. O exército subterrâneo modelaria a Argentina à força do medo para adaptá-la à política econômica executada por Martínez de Hoz. Houve, em concordância, um Videla diurno que representava a ala 'moderada' e que no plano diplomático se mostrava um homem liberal, razoável e cauteloso frente os filhos de Átila [...]. E houve um Videla noturno, 'eu sabia tudo o que se passava, eu estava acima de todos' (segundo ele próprio), que recebia informes da inteligência, que conhecia a localização de cada campo clandestino de concentração de prisioneiros, que revisava e assinava as ordens operativas [...]. Um Videla diurno que parecia ter limites morais frente ao uso pessoal que Massera fazia do poder [...]. O Videla que avançava com a espada de um cruzado, que afirmava não usufruir pessoalmente do poder para realizar negócios, mas que tolerava negociatas alheias toda vez combatê-las significasse dividir o bloco de poder ditatorial. [...] As brigas entre Videla e Massera seriam um xadrez sinistro, mas eles nunca se enfretaram pelo caráter da repressão: eles a consideravam a essência mesma do poder conquistado pela guerra 'anti-subversiva'".

Ustra: covarde
Enquanto isso, no Brasil, o Executivo e o Judiciário se acocoram frente à chantagem dos saudosistas da ditadura militar e mantêm a infame lei de anistia que perdoou torturadores e assassinos. Como se não bastasse, torcionários notórios como o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, ex-chefe do Doi-CODI, são tão covardes que sequer têm coragem de assumir seus atos criminosos, como o facínora Videla. Chore por nós, Argentina...


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