terça-feira, 27 de julho de 2010

QUANDO OS MORTOS GOVERNAM OS VIVOS

“Hegel observa em uma de suas obras que todos os fatos e personagens de grande importância na história do mundo ocorrem, por assim dizer, duas vezes. E esqueceu-se de acrescentar: a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa. [...] Os homens fazem sua própria história, mas não a fazem como querem; não a fazem sob circunstâncias de sua escolha e sim sob aquelas com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado. A tradição de todas as gerações mortas oprime como um pesadelo o cérebro dos vivos. E justamente quando parecem empenhados em revolucionar-se a si e às coisas, em criar algo que jamais existiu, precisamente nesses períodos de crise revolucionária, os homens conjuram ansiosamente em seu auxilio os espíritos do passado, tomando-lhes emprestado os nomes, os gritos de guerra e as roupagens, a fim de apresentar e nessa linguagem emprestada. Assim, Lutero adotou a máscara do apóstolo Paulo, a Revolução de 1789-1814 vestiu-se alternadamente como a república romana e como o império romano, e a Revolução de 1848 não soube fazer nada melhor do que parodiar ora 1789, ora a tradição revolucionária de 1793-1795. De maneira idêntica, o principiante que aprende um novo idioma, traduz sempre as palavras deste idioma para sua língua natal; mas só quando puder manejá-lo sem apelar para o passado e esquecer sua própria língua no emprego da nova, terá assimilado o espírito desta última e poderá produzir livremente nela”. (Karl Marx, O Dezoito Brumário de Luís Bonaparte)

 
 
Durante a exumação de Simón Bolívar, Hugo Chávez se emociona com o "esqueleto glorioso" e anuncia que não vê o Libertador como morto.
 
 
 

Depois de quatro anos, Fidel Castro volta a envergar a farda verde-oliva em cerimônia para comemorar o 26 de julho - "dia da rebeldia", que marca a tentativa de assalto ao quartel de Moncada em 1953, mas também homenageia José Martí, heroi da independência cubana.

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