quinta-feira, 1 de julho de 2010

AMBIENTALISMO, ÀS VEZES, RIMA COM IMPERIALISMO

Dizem que o deputado Aldo Rebelo (PCdoB), comunista histórico, vendeu sua alma ao diabo - no caso, aos ruralistas. Relator da reforma do Código Florestal, ele vem sendo acusado, principalmente pela bancada ambientalista, de ter sido seduzido pelo agronegócio. De fato, Rebelo tem sido elogiado pelos ruralistas, a começar pela "dama de ferro" do campo, a senadora Kátia Abreu. O deputado se defende dizendo que seu projeto não busca apenas culpados por desmatamentos anteriores, mas que traz medidas para preservar um legado de 522 milhões de hectares de vegetação nativa em pé. "Proteger o que temos é melhor do que fazer um acerto de contas com o passado. Estamos fazendo um inventário sobre as florestas que é mais avançado do que a legislação atual porque propõe cinco anos sem destamamentos", disse ele ao jornal Valor Econômico. 
Não tenho elementos suficientes para fazer um julgamento definitivo dessa questão específica, mas acredito que Aldo Rebelo faz um trabalho sério e equilibrado no Congresso. Nunca foi venal nem maria-vai-com-as-outras. Considero muito lúcida a maioria de suas posições, como a defesa firme do programa nuclear e a crítica contundente ao imperialismo travestido de ambientalismo.
Sobre este tema, ele escreveu um artigo no Estadão de quinta-feira revelando que um estudo, Farms Here, Forest There (Fazendas aqui, florestas lá), patrocinado pela Associação Nacional dos Fazendeiros (americanos), diz claramente que o agronegócio americano perde bilhões de dólares por ano pela competição de países tropicais, principalmente o Brasil. A tese do estudo, diz Aldo Rebelo, é que a única forma de conter essa perda de competividade dos EUA é por meio da redução do aumento da oferta mundial de produtos agropecuários. Como? Restringindo a expansão da área agrícola de países como o Brasil pela promoção de políticas ambientais internacionais mais rigorosas. "A agricultura e a indústria de produtos florestais dos Estados Unidos podem beneficiar-se financeiramente da conservação das florestas tropicais por meio de políticas climáticas", diz o relatório, textual e cinicamente.
"Países como o Brasil deveriam, na opinião deles, cumprir um novo papel: tornar-se uma espécie de 'área de preservação permanente global'. Com isso, se resolveriam dois problemas: o comercial, pois sua produção agrícola ineficiente se viabilizaria pela redução da oferta e aumento dos preços internacionais; e o ambiental, porque garantiriamos a compensação necessária para que eles continuem a manter seu atual padrão de consumo, que exige a exploração dos recursos naturais globais acima da capacidade que a natureza tem de repô-los", diz o deputado. 
Explica-se, dessa maneira, a defesa "altruísta" dos povos da floresta (alguém ouviu o nome Marina Silva?). E o que fazer com os quase 200 milhões de pessoas que não vivem na floresta e precisam comer e ter um padrão de vida digno, indaga o deputado? "Para estes eles têm a solução que já aplicam na África, depois de arruinarem a produção local de algodão, milho, tomate e outros alimentos, com os subsídios milionários que dão aos seus próprios fazendeiros: a chamada 'ajuda humanitária'".
O imperialismo, definitivamente, não é um tigre de papel. Talvez seja um urso... 

Um comentário:

  1. De facto há que ser equilibrado no tocante a este tipo de questões. Os fundamentalismos são perniciosos. Até no domínio dos ambientalistas...

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