Não, não é o que você está pensando. Não estou falando em transgressão de identidades sexuais, como os travestis, drag queens ou pessoas que mudam de sexo. Tampouco me refiro às teorias científicas da Biologia, de Lamarck a Darwin, que defendem que a adaptação das espécies ao meio ambiente é a chave para explicar sua evolução biológica. Trata-se, na verdade, de um conceito da Ciência Política elaborado pelo pensador marxista italiano Antonio Gramsci (1891-1937), para quem "transformismo" é a maneira pela qual as classes dominantes cooptam lideranças políticas radicais das classes subalternas para excluír estas últimas de qualquer protagonismo nos processos de transformação social. Ele distingue dois períodos: o "transformismo molecular", em que personalidades políticas progressistas se incorporam individualmente ao "status quo" conservador; e o transformismo orgânico, em que grupos inteiros, antes radicais, se passam para o campo da reação.


Mas no governo do Estado de São Paulo, Serra mandou às favas sua herança keynesiana e abraçou de vez o ideário de Friedrich Hayek e Milton Friedman. Adaptou-se, dessa maneira, ao programa do PSDB, que desde os anos 80 e 90 já defendia a ideia de um "choque de capitalismo" baseada na crítica thatcherista ao welfare state e na defesa das privatizações "à outrance" (sem tréguas), expressão cara a Mário Covas.
Agora, ávido por chegar à Presidência, o ex-desenvolvimentista José Serra não apenas reforçou a aliança dos tucanos com a direita mais tacanha - vide o Índio do Neardenthal - como também tornou-se o porta-voz de suas teses mais reacionárias. De quebra, o entorno demo-tucano-serrista capturou o ex-guerrilheiro Fernando Gabeira. O transformismo parece ser a doença senil do esquerdismo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário