sexta-feira, 21 de outubro de 2011

JUSTIÇA, AINDA QUE TARDIA



O presidente guatemalteco Jacobo Árbenz Guzmán

O governo da Guatemala pediu desculpas oficiais à família do ex-presidente Jacobo Árbenz Guzmán (1951-1954) pela expropriação de seus bens e pelo exílio a que foi forçado depois de ter sido deposto por um golpe militar com o apoio explícito da CIA. Segundo a BBC, “o gesto é parte do acordo a que chegou o governo guatemalteco com a família Árbenz na Corte Interamericana de Direitos Humanos em maio último, quando o Estado reconheceu que não cumpriu sua obrigação de proteger os direitos humanos dos membros da família”.

Árbenz e sua mulher Maria Villanova (à esq.) 

Militar simpatizante da esquerda, o coronel Jacobo Árbenz foi ministro da Defesa do governo progressista de Juan José Arévolo (1944-1950). Eleito presidente da República em 1950, Árbenz iniciou um amplo programa de reformas sociais num país marcado por profunda desigualdade e pela dominação econômica dos EUA, por meio da United Fruit Company.


O carro-chefe das reformas e o principal motivo do golpe foi a reforma agrária. Na época, 2% da população guatemalteca detinham 70% das terras. Em junho de 1952, o governo emitiu o Decreto 900, que criava uma rede conselhos agrários para expropriar propriedades improdutivas acima de 672 acres (2,7km²), realocando-as para famílias de camponeses pobres. Os proprietários dessas terras seriam compensados de acordo com o valor declarado dessas propriedade para o pagamento de impostos.

Trabalhadores da United Fruit

A United Fruit Company era a maior proprietária de terras da Guatemala, sendo que 85% delas eram improdutivas e, portanto, passíveis de expropriação. Para fins de pagamento de impostos, a empresa havia subvarolizado suas propriedades: em 1952, ela declarou que custavam US$ 3 por acre. Mas quando o governo se propôs a compensá-la da expropriação por este valor, a empresa chiou, alegando que as propriedades valiam US$ 75/acre. A United Fruit se recusou a explicar as razões para tamanho salto. Sem acordo, Árbenz entrou na alça de mira de Tio Sam.

A reforma agrária durou 18 meses, durante os quais foram distruídos 1.500.000 acres (6.100km²) para 100 mil famílias – entre elas terras do próprio Árbenz. Alegando ligações do governo com os comunistas e com a União Soviética, a CIA desencadeou o golpe. O coronel Castillo Armas, testa de ferro dos americanos, assumiu o poder e reverteu as reformas de Jacobo Árbenz.

A CIA organizou sabotagens

Memorando interno da CIA

O envolvimento da CIA no golpe da Guatemala foi definitivamente esclarecido em 1975, quando, sob a vigência da Freedom of Information Act (Foia), foram liberados documentos secretos da agência, entre os quais um memorando interno que detalhava o papel da CIA nos acontecimentos. E aqui, políticos como Sarney e Collor querem manter o sigilo eterno dos documentos oficiais...

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