quarta-feira, 31 de março de 2010

O CÂNONE OCIDENTAL

"Ler os melhores escritores - digamos Homero, Dante, Shakespeare, Tolstoi - não vai nos tornar melhores cidadãos. A arte é inteiramente inútil, segundo o sublime Oscar Wilde, que tinha razão em tudo [...] A maneira mais boba de defender o Cânone Ocidental é dizer que ele encarna as virtudes morais que compõem nossa suposta gama de valores normativos e principios democráticos. A Ilíada ensina a glória suprema da vitória armada, enquanto Dante se rejubila com os eternos tormentos que impõe a seus inimigos bastante pessoais [...] O estudo da literatura, como quer que se o faça, não vai salvar nenhum indivíduo, não mais do que melhorar qualquer sociedade. Shakespeare não nos tornará melhores, nem piores, mas pode ensinar-nos a entreouvir-nos quando falamos a nós mesmos. Posteriormente, pode ensinar-nos a aceitar a mudança, em nós mesmos e nos outros, e talvez até a forma final de mudança. Hamlet é o embaixador da morte para nós, talvez um dos poucos embaixadores já enviados pela morte que não nos mente sobre nossa inevitável relação com esse país não descoberto. A relação é inteiramente solitária, apesar de todas as obscenas tentativas da tradição de socializá-la. [...] Shakespeare, que dificilmente se apoia na filosofia, é mais fundamental para a cultura ocidental que Platão e Aristótoles, Kant e Hegel, Heidegger e Wittgenstein"
(Harold Bloom, O Cânone Ocidental)

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