terça-feira, 30 de março de 2010

MEA CULPA

A velocidade com que as informações são transmitidas na era da internet frequentemente tem levado jornalistas a fazer juízos apressados, muitas vezes peremptórios, sem a devida apuração - o primeiro dever de qualquer repórter sério. A foto de um suposto professor carregando um PM ferido durante as manifestações da Apeoesp em São Paulo revelava, à primeira vista, uma situação comovente: a solidariedade de um professor com um de seus "algozes". Foi por causa dessa impressão que a imagem foi veiculada em sites e blogs (inclusive neste) e vetada em outros veículos. Eu inclusive, do alto da minha onipotência, coloquei o título: "Uma foto vale mais do que mil palavras". Às vezes, não vale. O blog Viomundo, do jornalista Luiz Carlos Azenha, revelou que o suposto professor é na verdade um integrante da P2, o serviço secreto - dito reservado - da PM de São Paulo. Caímos na armadilha como patinhos.
O "desconfiômetro" é essencial à atividade do jornalista e deve se sobrepor à primeira impressão. Talvez alguns clássicos como o siliciano Luigi Pirandello (1867-1936) nos ajudem a apurar o senso crítico: sua peça Assim é, se lhe parece mostra como as coisas adquirem sentido a partir do olhar de cada um.

Confira o blog do azenha:
http://www.viomundo.com.br/denuncias/policial-militar-infiltrado-embarcou-em-osasco-no-onibus-dos-professores.html

Nenhum comentário:

Postar um comentário