quarta-feira, 27 de julho de 2011

ADEUS À LINGUAGEM

Grande Godard! Aos 80 anos, ele está em plena forma. Apesar de ele ser um chato e, por vezes, pernóstico, não dá pra negar sua genialidade e seu espírito iconoclasta, bem típico dos rebeldes anos 1960. “Os gregos nos deram a lógica. Temos uma dívida com eles por isso. Foi Aristóteles quem propôs o grande ‘logo’... Usamos essa palavra milhões de vezes para tomar nossas decisões mais importantes. É hora de começarmos a pagar por ela”, disse o diretor de Film Socialisme. “Se formos obrigados a pagar à Grécia cada vez que usarmos a palavra ‘logo’, a crise acabará em um dia. A cada vez que Angela Merkel disser aos gregos: “nós emprestamos todo esse dinheiro a vocês, logo vocês precisam nos pagar de volta com juros’, ela será obrigada, logo, a pagar primeiro aos gregos pelos royalties.”


Paralelamente, o cineasta se lança numa batalha por uma “nova república das imagens” livre do domínio das leis de propriedade intelectual, segundo definiu o jornal britânico The Guardian. “Este novo cinema será recortado e colado em um mundo para além do copyright, onde o direito do autor passará a ser visto com o algo tão medieval como o ‘droit du seigneur’ (o suposto direito dos senhores feudais de deflorar donzelas que viviam em seus domínios, antes de elas se casarem)”, diz o jornal. “Nos anos 1930-1950, Hollywood sabia fazer filmes como ninguém. Hoje, nem mesmo os noruegueses conseguem fazer filmes tão ruins quanto os americanos”, alfineta Godard. “Houve uma época em que pensávamos que fôssemos autores, mas não éramos. O cinema acabou. É triste que ninguém esteja explorando o cinema realmente. De qualquer maneira, com os celulares e tudo o mais, hoje todo mundo é autor”.




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