O Congresso
Nacional preparava-se para votar um projeto de lei que limita a criação de
novos partidos políticos, mas uma liminar do ministro Gilmar Mendes, do Supremo
Tribunal Federal, congelou sua tramitação até a apreciação do projeto pelo plenário
da Corte. No mesmo dia, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou
um Projeto de
Emenda Constitucional (PEC) que dá ao Parlamento o poder de rever
decisões do STF sobre ações de inconstitucionalidade. O presidente do Senado,
Renan Calheiros, classificou a liminar como “invasão” do Poder Judiciário sobre
as competências do Poder Legislativo e disse que iria recorrer.
Bem, o
projeto limitando o tempo de TV e o acesso ao Fundo Partidário aos novos
partidos se faz necessário, face à proliferação de legendas de aluguel no país.
Mas sua votação agora é oportunista, porque vem no exato momento em que líderes
de oposição articulam a criação de mais dois partidos, a Rede, de Marina Silva,
e o Mobilização Democrática, fusão do PPS com o PMN, com vistas a 2014. No ano
passado, quando Gilberto Kassab criou o seu PSD, ele teve as vantagens que hoje
se pretende eliminar. Mesmo assim, a votação faz parte do jogo político, mas
esse jogo se complica quando quem não tem votos apela para o Poder Judiciário.
Por causa de
ações dessa natureza, o Parlamento vem se mostrando incapaz de cumprir seu
papel. O resultado é um processo perigoso de judicialização da política e conseqüente
politização do Judiciário. O protagonismo do Supremo chegou a empossar candidatos
derrotados e não eleitos (caso do Maranhão) e a definir a fidelidade partidária,
o que seria finalidade dos partidos políticos. E, no caso da Ação Penal 570 – o
caso do mensalão –, o STF cedeu à pressão da “opinião publicada” e julgou os réus
em período eleitoral, ignorando a jurisprudência e o princípio da inocência dos
réus até prova em contrário, entregando cabeças ao gosto do “clamor popular”.
E as últimas
decisões do STF comprometem a autonomia do Congresso, o que constituiu uma violação
flagrante da Constituição de 1988, que garante o equilíbrio de poderes, um dos
fundamentos da democracia representativa. Segundo o art. 102 da Carta Magna, o
Supremo Tribunal é o “guardião da Constituição”, mas o Congresso Nacional tem
poderes, sim, para anular quaisquer decisões, do Executivo e do Judiciário
(art. 49). Um Congresso soberano tomando decisões políticas sobre os destinos da
nação não é ameaça, mas fundamento da democracia. Atualmente, o que estamos
vendo é um poder técnico e não-eleito (o Judiciário) avançando celeremente, com
o aplauso da mídia, sobre a competência de um poder democraticamente eleito e
soberano (o Legislativo). Quem realmente ameaça a democracia?
Repetindo o que eu já disse aqui, segundo os clássicos pensadores
do Direito (Montesquieu e os Federalistas, por exemplo), o Legislativo pode e
deve exercer o controle sobre o Judiciário, a exemplo do que já acontece em
relação ao Executivo. Como dizia o filósofo do Direito Norberto Bobbio, “a democracia
nasceu com a perspectiva de eliminar para sempre das sociedades humanas o poder
invisível e de dar vida a um governo cujas ações deveriam ser desenvolvidas
publicamente”.
Alô Cláudio?. Precisamos de um bom franco atirador aqui na redação, para comentar sobre a eleição do embaixador Roberto Azevedo para a OMC. Duas semanas de ausencia do Breviário?. Se fosse em outras épocas mais sinistras,já iriamos pensar em camburão,purão e pau-de-ararás e outras coisitas mais...
ResponderExcluirProfessor, receba uma grande abraço daqui do coração da Amazônia.
Ei amigos?!. Muita estranha esta ausência não anunciada do Professor Cláudio Camargo. Como ainda habitamos um mundo de mortais, solicito aos leitores e admiradores do velho mestre que possuam alguma informação sobre a saúde ou detalhe sobre o paradeiro de Cláudio,que publique aqui ou envie para o meu e-mail edubueres@gmail.com. Dificilmente um homem com o caráter e sólida formação que ele possui - salvo em caso de morte ou grave enfermidade - estaria apartado e deixaria de contribuir com a sua inteligência e perspicácia para nos ajudar, especialmente a juventude, á elucidar o atual momento de revolta nas ruas que passamos. Um forte Abraço para todos!
ResponderExcluirComenta-se em São Paulo que o poster titular deste Blog, Cláudio, havia sofrido um derrame cerebral no início deste ano.Lamento o ocorrido e, Juntamente com a minha família, rezamos para que ele tenha sobrevivido a este infortúnio.
ResponderExcluirMaria Eugenia de Santa Inez Bulhões
Perdoemos pois o claudicante niilismo do senhor Cláudio. Cá entendemos todos, que não esta ele entre outros do além.
ResponderExcluirNuno Setúbal
Porto-Portugal