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O presidente eleito do Paraguai, Horacio Cartes |
Com a vitória de Horacio
Cartes na eleição presidencial de domingo no Paraguai, o país volta a ser governado
pelo Partido Colorado, que ficou seis décadas no poder, mais da metade das
quais sob uma ditadura militar. Cartes é dono de
um conglomerado de bebidas, cigarros e charutos. Ele é acusado de lavagem
de dinheiro e ligações com o narcotráfico. Assim, pode-se dizer que, com esta eleição, o Paraguai voltou a ser o Paraguai. Para o bem ou para o mal.
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Fernando Lugo, presidente deposto em 2012 |
A condução dessa aliança com os liberais foi inepta, pois alienou o apoio dos trabalhadores ao
mesmo tempo em que bloqueou a possibilidade de reformas. Os conflitos sociais
aumentaram e, no ano passado, um deles resultou no assassinato de 11 camponeses
numa ação repressiva. Aproveitando o cenário de instabilidade, os
liberais e os oviedistas (dissidentes colorados) articularam um impeachment e derrubaram Lugo. O
presidente foi acusado de responsabilidade pelos conflitos e teve duas horas para se defender. Nada menos do que um golpe constitucional.
Do ponto de vista
geopolítico, no entanto, a eleição de Cartes representa um avanço. Isso porque,
com o golpe contra Lugo, o Paraguai tinha sido afastado do Mercosul e da Unasul
e estava isolado na América do Sul. O país ameaçava inclusive estabelecer
acordos unilaterais de livre comércio. Agora, o futuro presidente já acena com
a volta do Paraguai ao clube sul-americano.
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O general ditador Alfredo Stroessner |
Ironicamente, as relações do
Brasil com o Paraguai sempre foram melhores com os colorados no poder. O
próprio partido nasceu no século XIX com o apoio da diplomacia brasileira para
contrabalançar a influência da Argentina, que tinha o apoio do Partido Liberal.
As relações entre Brasil e Paraguai foram de vento em popa sob a ditadura do
general Alfredo Stroessner (1954-1989). De acordo com o professor Moniz
Bandeira, “a amizade com o Brasil constituía fundamento da política exterior do
Paraguai, onde o Partido Colorado, fomentando internamente o nacionalismo
contra a supremacia de Buenos Aires, a ela recorria como esteio para eventuais
pressões quer contra a Argentina quer até mesmo contra os EUA” (Brasil, Argentina e Estados Unidos –
Conflito e Integração na América do Sul (Da Tríplice Aliança ao Mercosul).
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