Outra
efeméride: há 70 anos, guerrilheiros judeus do Gueto de Varsóvia iniciaram uma luta
gloriosa, mas sem esperança, contra a barbárie nazista, escrevendo uma das mais
belas páginas da resistência à tirania. No início de 1943, dos 380 mil judeus
que foram confinados pelos nazistas no Gueto de Varsóvia, 300 mil já tinham
sido deportados para o campo de extermínio de Treblinka, a 100 km de Varsóvia.
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Guerrilheiros da ZOB |
Era o início da Solução
Final, cujo objetivo era eliminar todos os judeus europeus de forma sistemática
e industrial. Grupos sionistas, Bund (esquerda judaica antissionista) e
militantes comunistas organizaram a Organização Combatente Judaica (das
iniciais ZOB em polonês), liderada por Modercai Anielewicz, de apenas 23 anos. O ZOB, porém, não
tinha nenhuma ilusão e seu objetivo era simbólico: fazer com que os judeus
morressem lutando contra os nazistas, não em campos de extermínio.

Menos de mil resistentes mal armados e mal treinados
enfrentaram cerca de três mil soldados alemães muito bem equipados e treinados.
Os partisans judeus lutavam em becos,
esgotos e em janelas das casas. A repressão foi brutal. Mesmo assim, a resistência
durou quase um mês; em 16
de maio de 19 43, na noite do Pêssach
(páscoa judaica), os últimos rebeldes foram cercados e muitos se suicidaram
para não serem levados a Treblinka. Dos 56 mil judeus remanescentes do Gueto, sete
mil foram fuzilados e o restante deportado para campos de extermínio.
O
Levante do Gueto de Varsóvia mostrou que os oprimidos pela barbárie nazista
podiam resistir, mesmo sem a menor esperança de vencer. Um dos panfletos da ZOB da época sintetizava
bem o espírito da revolta: “A infâmia de nosso extermínio não se deve
reproduzir. Que nenhum país aceite mais a morte de seus filhos. Que cada mãe
defenda seus filhos como uma leoa.”
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