terça-feira, 16 de abril de 2013

STUART ANGEL JONES FOI ABSOLVIDO DEPOIS DE MORTO

Stuart Edgar Angel Jones, assassinado em 1971

O Wikileaks liberou há poucos dias um documento da embaixada dos EUA em Brasília endereçado aos escritórios de Assuntos Interamericanos do Departamento de Estado dos EUA, em Recife, Rio de Janeiro e São Paulo, no dia 14 de março de 1973. O documento menciona o assassinato do militante comunista Stuart Edgar Angel Jones e, mais que isso, faz a surpreendente revelação de que ele teria sido absolvido post mortem pelo Superior Tribunal Militar (STM)dois anos depois de seu assassinato por agentes do serviço secreto da Aeronáutica.

Assinado pelo então embaixador dos Estados Unidos no Brasil, William Manning Rountree, o telegrama narra “o capítulo final do trágico caso” de Stuart Angel. “Na última semana, em
sessão secreta, o Superior Tribunal Militar reafirmou a decisão do Tribunal da Aeronáutica de absolver Jones de sua alegada violação à Lei de Segurança Nacional. Como o departamento está consciente, Jones foi detido no Aeroporto Galeão (Rio) em 1971 e subsequentemente assassinado por agentes da Aeronáutica”.


A estilista Zuzu Angel, morta em 1976
Então com 25 anos, Stuart Jones era filho do americano Norman Jones e de Zuleika Angel Jones, mais conhecida como Zuzu Angel, figurinista e estilista conhecida internacionalmente. Jones foi estudante de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro e tinha dupla nacionalidade, brasileira e americana. Zuzu Angel denunciou o assassinato do filho pelos agentes da repressão e acabou morrendo em 1976 num acidente automobilístico até hoje não esclarecido completamente.  

Jones era militante do MR-8, uma das organizações de oposição armada à ditadura militar. Em 14 de junho de 1971, ele foi preso, torturado e morto por membros do CISA (Centro de Informações de Segurança da Aeronáutica) nas dependências da Base Aérea do Galeão. Seu principal carrasco foi o comandante daquela unidade, o brigadeiro facínora João Paulo Burnier, já falecido. Stuart Jones foi casado com a também militante Sônia Morais Jones, presa, torturada e morta dois anos depois e também “desaparecida”.

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