sexta-feira, 8 de março de 2013

OS DOIS 8 DE MARÇO

Vítimas da repressão policial em NY, 1857
O 8 de março marca o Dia Internacional da Mulher, mas como essa data se consagrou internacionalmente é uma história mais complicada do que se quer fazer crer. Oficialmente, diz-se que a data homenageia as vítimas de uma violenta repressão a uma greve de operárias da indústria têxtil em 1857 na cidade de Nova York. As tecelãs ocuparam as fábricas reivindicando redução da jornada de trabalho (de 16 para dez horas diárias) e equiparação salarial com os homens. Para reprimir o movimento a polícia trancou as grevistas e incendiou os edifícios. Cerca de 130 delas morreram.


A revolucionária Clara Zetkin
Em 1910, durante a Conferência Internacional das Mulheres Socialistas, realizada em Copenhague, na Dinamarca, a revolucionária alemã Clara Zetkin propôs o dia 19 de março como o Dia Internacional da Mulher, para protestar contra a discriminação e a opressão das mulheres nos países industrializados. Em 1911, o Dia da Mulher foi comemorado na Áustria, Dinamarca, Alemanha e Suíça.

A data foi deixada de lado pela divisão do movimento operário e pela eclosão da Primeira Guerra Mundial, mas foi retomada na Rússia em 1917, criando o estopim para a Revolução de Fevereiro. No dia 8 de março de 1917 (23 de fevereiro pelo calendário juliano) eclodiu em Petrogrado (atual São Petersburgo), em meio às comemorações do Dia Internacional da Mulher, uma a greve de operárias da indústria têxtil contra a fome, o czarismo e para exigir a volta dos homens do campo de batalha. Segundo o líder revolucionário Leon Trotsky, “em 23 de fevereiro (8 de março no calendário gregoriano) estavam planejadas ações revolucionárias. Pela manhã, a despeito das diretivas, as operárias têxteis deixaram o trabalho de várias fábricas e enviaram delegadas para solicitarem sustentação da greve. Todas saíram às ruas e a greve foi de massas. Mas não imaginávamos que este ‘dia das mulheres’ viria a inaugurar a revolução”.

A parte da história que é geralmente escamoteada no Ocidente é que, em 1921, por decisão do próprio Vladimir Lênin, o fundador da União Soviética, essa data foi escolhida em homenagem às operárias, iniciando uma tradição nos países comunistas. Mas, a partir dos anos 1950, a data se transformou numa comemoração festiva, equivalente ao dia dos namorados. Finalmente, nos 1970 o Dia Internacional da Mulher foi resgatado pelo movimento feminista ocidental, que se apossou da data para fortalecer suas reivindicações pela igualdade de direitos de gênero. Em 1977 a ONU finalmente consagrou o 8 de março como Dia Internacional dos Direitos das Mulheres. Mas hoje, no imaginário coletivo, apenas o episódio da greve de Nova York é lembrado.

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