terça-feira, 15 de novembro de 2011

RIO, LOGO EXISTO


Demócrito de Abdera
Desde Platão, a Filosofia clássica via o riso como grosseria indigna dos homens racionais e virtuosos (ele também abominava a poesia, expulsa da sua República dos reis filósofos). Mas nem sempre foi assim, afirma o filósofo alemão Manfred Geier no livro Do que riem as pessoas inteligentes?, resgatando filósofos que faziam do riso e da ironia uma arma contra a hipocrisia social, como Demócrito de Abdera, e Diógenes de Sínope, o cínico. 
   
Sêneca
"Devemos nos esforçar para conseguir uma postura de não achar os vícios do populacho repugnantes, e sim ridículos, e nos aproximar mais de Demócrito do que Heráclito, pois este sempre chorava quando estava entre as pessoas enquanto aquele ria. Para Heráclico, todos nossos atos pareciam lamentáveis; já para Demócrito, eram tolos. [...] É mais humano rir da vida do que se lamentar" 
(Sêneca, Da alegria da Alma)



Montaigne

"Prefiro o modo de ser de Demócrito - não porque seja mais agradável rir do que chorar, e sim porque exprime um maior desprezo e nos julga com mais severiada do que o outro; pois me parece que, se for pelos nossos méritos, nunca podemos ser suficientemente desprezados. Pois ao choro e à piedade vem sempre misturada uma determinada avaliação daquilo que se chora. Já as coisa que ironizamos são consideradas sem valor. Em minha opinião, há dentro de nós menos miséria do que vaidade e menos infâmia do que ignorância. Não somos tão preenchidos pelo mal quanto pelo vazio [...] O aspecto especial da nossa condição humana consiste em que somos seres ao mesmo tempo capazes de rir e ridículos"
(Montaigne, Sobre Demócrito e Heráclito)

Ensina-se que o pensamento está acima
da ironia e do humor, e isso é ensinado
por um pensador completamente destituído
do senso de comicidade.
Muito engraçado!
(Sören Kierkegaard, 1846)
  

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