segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

OS MEIOS SÃO O FIM

"O homem gosta de criar e de abrir caminhos, isto é indiscutível! Mas por que ama também, a destruição e o caos? Dizei-me! [...] Não amará ele a tal ponto a destruição e o caos (é indiscutível que às vezes os ama e muito, não há dúvida sobre isto) porque teme instintivamente atingir o objetivo e concluir o edifício em construçâo? [...] Talvez ele ame o edifício apenas a distância e nunca de perto; talvez ele goste apenas de criá-lo, não de viver nele, deixando-o depois para os animaux domestiques, isto é, formigas, carneiros etc. etc. [...] Suponhamos que o homem não faça outra coisa senão procurar este dois e dois são quatro: ele atravessa os oceanos a nado, sacrifica a vida nesta busca, mas, quanto a encontrá-lo realmente... juro por Deus, tem medo. Bem que ele sente: uma vez encontrado isto, não haverá mais o que procurar"
Fiodor Dostoiévski, Memórias do Subsolo

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