quarta-feira, 28 de outubro de 2009

DOCE VENENO


A face antidemocrática do
politicamente correto

Doce flor do mulculturalismo tapuia, a senadora Marina Silva, pré-candidata do PV à Presidência, voltou a dizer que é contra o aborto, mas defendeu a realização de um plebiscito para decidir a questão. Essa manifestação de "democratismo" de certos adeptos do "politicamente correto" mal disfarça um impasse. A senadora poderá defender também a realização de um plebiscito para saber se o criacionismo deve ser ensinado nas escolas em pé de igualdade com a teoria da evolução. Nos dois casos Marina não estará se arriscando a proferir um discurso diferente do das "massas". Mas ela ousará submeter a pena de morte a um escrutínio popular? A maioria dos brasileiros já foi favorável à execução legal e quem garante que não voltará a sê-lo, sob o impacto de um crime violento ou de uma campanha agressiva? É fácil estar com "o povo" quando nossas opiniões coincidem com as dele, mas o que fazer quando ocorre o contrário? Pior: devemos seguir a maioria se ela ela optar por instaurar ou manter leis repressivas ou retrógradas? Lembremo-nos que o fascismo e o nazismo chegaram ao poder pelo voto popular. Intoxicado com "as raízes" ou "as tradições populares", o multiculturalismo - ersatz do romantismo político - é incapaz de raciocinar em termos dos valores humanistas, iluministas e universais consagrados pelas Revoluções Americana e Francesa: direitos humanos, liberdades civis, separação Estado-Igreja. Afinal, como ensinava Alexis de Tocqueville, a "tirania da maioria" pode ser tão antidemocrática quanto a opressão da minoria.



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