quarta-feira, 29 de agosto de 2012

O QUE DIRIA EISENHOWER?


Deu no New York Times:

Caças F-16 Fighting Falcon 
Em 2011, em que pese ainda sentirem os efeitos da crise econômica mundial, os Estados Unidos bateram o recorde de venda de armas ao exterior, atingindo US$ 66,3 bilhões, valor três vezes maior do que o alcançado no ano anterior (US$ 21,4 bilhões). Esta soma representa nada menos que 2/3 do total mundial de 2011 – US$ 85,3 bilhões. A Rússia vem num distante segundo lugar, com meros US$ 4,8 bilhões em vendas.

Caças F-15 Eagle sobrevoam o céu da Arábia Saudita
A maior parte das vendas de armas americanas destinou-se aos países do Golfo Pérsico (Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Omã), que estão preocupados com o aumento de tensão entre Israel e Irã. Os Estados do Golfo temem serem atacados pelo Irã em caso de conflito, pois eles são fiéis aliados dos EUA na região.(Será mera coincidência o alarmismo da grande mídia em relação ao “perigo iraniano”?). Esses países compraram caríssimos caças e helicópteros ultramodernos, além de sofisticados sistemas de defesa antimísseis.

Helicóptero Black Hawk
De acordo com o Times, a Arábia Saudita comprou 84 caças F-15, dezenas de helicópteros Black Hawk e Apache, sistema de mísseis e logística, além de modernizar 70 caças F-15, gastando a bagatela de US$ 33,4 bilhões. Os Emirados compraram um escudo antimísseis e 16 helicópteros Chinook por US$ 939 milhões e Omã comprou 18 caças F-16 por US$ 1,4 bilhão.

Nenhuma surpresa. A produção e venda de armas é essencial ao império americano. Um pouco de história:

Em 17 de janeiro de 1961, no seu discurso de despedida, o presidente americano Dwight Eisenhower alertou seus compatriotas sobre as graves implicações de um novo fenômeno na história americana: “a conjunção de um imenso establishment militar e uma grande indústria de armamentos”, que ele denominou “Complexo Industrial-Militar”. Os gastos militares daquela época, dizia Eisenhower, consumiam “mais do que o lucro líquido de todas as corporações dos Estados Unidos”. Com essa dinherama à disposição do Complexo Militar Industrial, o presidente alertava contra uma influência negativa sobre a sociedade americana que ia além da esfera econômica e política e atingia até a dimensão espiritual.

O presidente Eisenhower adverte contra o "Complexo Militar-Industrial"
Eisenhower era militar; ele foi o grande herói americano da II Guerra Mundial. Seus sucessores, todos civis, a começar por John Kennedy, só fizeram aumentar os gastos militares dos EUA e a alimentar o Complexo Militar Industrial. Um filme idiota, JFK, de Oliver Stone, tenta dizer que Kennedy foi assassinado, entre outras coisas, porque contrariou os interesses do “complexo”. Trata-se de uma ignorância histórica completa do período, já que Kennedy fez campanha falando de um inexistente “gap missile” dos EUA em relação à URSS. No poder, ele investiu pesadamente na modernização e ampliação do arsenal nuclear americano.    

Além do fato de uma advertência daquele tipo ter partido  de um presidente com origem militar, o alerta de “Ike” chama atenção também porque, na época, mundo vivia o auge da Guerra Fria e os EUA se sentiam ameaçados pela União Soviética, que tinha capacidade semelhante à dos americanos de destruir o mundo várias vezes com seu arsenal nuclear.
Cinqüenta anos depois e 20 anos após o fim da Guerra Fria e o colapso da União Soviética, os gastos dos EUA com despesas militares mais do que dobraram em relação ao período que Eisenhower pronunciou seu discurso.

Aqui, o discurso de Eisenhower:

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