quinta-feira, 28 de abril de 2011

A VIRTUDE PAGÃ, DE MAQUIAVEL A KENNAN


Nicolau Maquiavel
"A virtude pagã de Maquiavel é uma virtude pública, ao passo que a virtude judaico-cristã é, em geral, uma virtude mais privada. Um exemplo famoso de boa virtude pública e de virtude privada inadequada pode ser o do presidente Franklin Delano Roosevelt e suas nocivas fugas da verdade para fazer com que um Congresso isolacionista aprovasse a Lend-Lease Act (Lei de Empréstimos e Arrendamentos) de 1941, que permitia o empréstimo e arrendamento de materiais bélicos para os países aliados durante a Segunda Guerra Mundial. 'Na verdade', escreve o dramaturgo norte-americano Arthur Miller sobre Roosevelt, "a humanidade está em dívida com suas mentiras'. Em seu Discursos sobre a Primeira Década de Títo Lívio, Maquiavel aprova a fraude quando ela é necessária ao bem-estar da pólis. Essa não é uma ideia nova ou cínica: Sun-Tzen escreve que política e guerra constituem 'a arte de enganar', a qual, se praticada com sabedoria, pode levar à vitória e à redução de baixas. O fato de esse preceito ser perigoso e facilmente manipulável não o despoja de suas aplicações positivas".

Alexander Hamilton
"Enquanto não houver um Leviatã para dominar os países do mundo, as lutas pelo poder continuarão a definir a política internacional e uma sociedade civil global continuará fora de alcance. A democracia e a globalização são, na melhor das hipóteses, soluções parciais. Do ponto de vista histórico, as democracias têm se mostrado tão propensas à guerra quanto os outros regimes. Maurice Bowra, acadêmico de Oxford, escreve: 'Atenas representa uma refutação memorável da ilusão otimista de que as democracias não são beligerantes ou ávidas por um império'. A maior interpendência econômica no início do século XX não impediu a Primeira Guerra Mundial, ao passo que os Estados Unidos e a União Soviética permaneceram em paz muito embora houvesse pouco comércio entre as duas nações. A interdependência econômica cria seus próprios conflitos, enquanto novas democracias, em locais que apresentam instituições fracas e rivalidades étnicas, quase sempre são voláteis. Aqui, mais uma vez, nota-se a presença de Alexander Hamilton, a voz mais intensa da Revolução Americana:

Não vimos já tantas guerras alicerçadas em motivos comerciais desde que este se tornou o sistema predominante entre as nações, quantas ouve anteriormente ocasionandas pela cobiça de um território ou domínio? O espírito de comércio, em muitas instâncias, não incentivou tanto um quanto o outro? Vamos apelar para a experiência, o guia menos falível das opiniões humanas, para obtermos a resposta a estas dúvidas.

O cardeal Richelieu
"A característica que define o realismo é que as relações internacionais são governadas por princípios morais diferentes dos princípios da política interna - uma noção justificada pelas obras de Tucídides, Maquiavel, Hobbes, Churchill e outros. A necessidade de tal distinção foi enfatizada pelo nascimento do capitalismo moderno: o ímpeto pela raison d'etat de Richelieu. [...] O racionalismo exigido para gerenciar as complexas operações econômicas de um Estado francês burocratizado, que surgiu no início do século XVII, foi suplantando gradualmente  a arbitrariedade dos barões feudais, propiciando o pragmatismo de Richelieu. George Kennan observa que a moralidade privada não é um critério para comprar um Estado a outro.

George Kennan
'Aqui, precisamos permitir que outros critérios, mais amargos, mais limitados, mais práticos, prevaleçam', diz Kennan. O historiador Arthur Schlesinger Jr. avisa  que, quando se trata de questões externas, a moralidade não está em 'alardear valores morais absolutos', mas na 'premissa de que outros países possuem suas próprias tradições, interesses, valores e direitos legítimos'". 

Robert D. Kaplan, Warrior politics: why leadership demands a pagan ethos      

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