terça-feira, 12 de abril de 2011

OS 150 ANOS DA GUERRA DE SECESSÃO AMERICANA


Ataque ao Fort Sumter 
  No dia 12 de abril de 1861, tropas do Exército Confederado americano atacaram o Fort Sumter, em Charleston, na Carolina do Sul. Era o início da Guerra de Secessão Americana, a maior guerra civil do século XIX. O conflito durou quatro anos, provocou a morte de 900 mil americanos (3% da população dos Estados Unidos na época; o que corresponderiam a nove milhões de pessoas em relação à população atual dos EUA).


Os estados do Norte tinham abundância de energia e de riquezas minerais, acumularam capital e criaram condições favoráveis ao desenvolvimento industrial, como a generalização da mão de obra assalariada, a criação de uma ampla rede de transportes e uma política econômica protecionista, para estimular a indústria. Já os estados do Sul, com uma economia baseada no algodão e no tabaco e no latifúndio escravista, economicamente débeis, não tinham nada a perder e defendiam uma política livre-cambista. Os sulistas podiam ter escravos, porque cada Estado da federação era livre para adotar o tipo de mão de obra que desejasse. O Partido Republicano, fundado em 1854, abraçou a causa abolicionista – sim, acreditem, os republicanos nasceram progressistas...

Abraham Lincoln
A eleição de 1860 levou o advogado abolicionista moderado e republicano Abraham Lincoln à presidência. Na verdade, ele estava mais preocupado em defender a unidade do país do que em abolir o trabalho escravo: “se para defender a União eu precisar abolir a escravidão, ela será abolida; mas se para defender a União eu precisar manter a escravidão, ela será mantida”, tinha dito antes de a guerra estourar. O movimento separatista, contudo, seguiu-se à eleição de Lincoln à Casa Branca; surgiu em dezembro de 1860 na Carolina do Sul e foi seguido por outros seis Estados. No final, ao acabar com a escravidão e manter a União, Lincoln reinventou o país – ainda que, para isso, tivesse que rasgar a Constituição americana. Como, aliás, quase cem anos depois, Franklin Roosevelt teve que desafiar a divisão de poderes e enfrentar a Suprema Corte para viabilizar o New Deal.

Com seu cortejo terrível de destruição, a Guerra da Secessão é considerada a primeira guerra moderna da História; foi nela que surgiram os fuzis de repetição – que tornaram obsoletos o sabre e o mosquete, fazendo da luta corpo a corpo um combate inútil –, as metralhadoras e as trincheiras, generalizadas na Primeira Guerra Mundial (1914-1918). A destruição de cidades e o massacre de civis, como o incêndio de Atlanta, ordenados pelo general William Sherman, também inauguraria um padrão que se tornaria comum em conflitos posteriores. O próprio Sherman, que depois daria nome a um tanque de guerra, reconheceria sua obra: “somente aqueles que nunca deram um tiro, nem ouviram os gritos e os gemidos dos feridos, é que clamam por sangue, vingança e mais desolação. A guerra é o inferno”.

O fim do conflito radicalizou a segregação racial no sul – em 1867 surgiram organizações supremacistas como a Klu Klux Klan para impedir a integração dos negros como homens livres, com direitos adquiridos, na sociedade sulista. Somente cem anos depois do fim da Guerra Civil os negros conquistariam igualdade perante a lei nos EUA. O pós-guerra da Secessão também trouxe uma formidável recuperação econômica para os Estados Unidos, criando um mercado unificado baseado no modelo industrial dos Estados da União. Surgiram assim os grandes conglomerados – chamados trustes –, que concentravam o capital em vários setores econômicos, como aço, petróleo, borracha e bens de consumo duráveis. Iniciava-se a era dominada pela Standart Oil, Ford, General Motors, Chrysler, Firestone e Goodyear, entre outros. Estava aberto o caminho para que os EUA se tornassem a potência imperialista hegemônica. Pelas artes da Guerra da Secessão, a República americana tornava-se Império americano.

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