terça-feira, 19 de abril de 2011

QUEM SE IMPORTARÁ COM ELES?


Manifestações da maioria xiita contra a monarquia sunita do Bahrein

A ditadura sunita do Bahrein, apoiada por tropas da também sunita Arábia Saudita - ambos aliados fundamentais dos EUA no Oriente Médio - está destruindo mesquitas e lugares sagrados da maioria xiita (70% da populaçao) do país, segundo o jornal britânico The Guardian. Soldados sauditas, parte do contingente de mil homens que entrou no Bahrein no mês pássado para ajudar a monarquia sunita a reprimir as manifestações populares contra o regime, destruíram cerca de sete mesquistas e 50 lugares sagrados dos xiitas. A mesquita mais famosa destruída foi a do líder espiritual xiita no Bahrein, o xeque Abdul Amir al-Jamri, morto em 2006. Os soldados saudistas ainda picharam os escombros da mesquita com ofensas aos xiitas e vivas ao regime do Bahrein.

Agora, imaginem se isso estivesse acontecendo num país hostil a Washington ou ao Ocidente. Imaginem se o Irã deslocasse tropas para defender os xiitas do Bahrein, do Iraque ou do Líbano. As trombetas do Apocalipse já teriam soado e as forças da Otan já estariam bombardeando o país para impedir o massacre de inocentes, como está acontecendo na Líbia. Mas o Bahrein e a Arábia Saudita podem fazer o que bem entenderem e sempre estarão a salvo de serem classificados como "regimes párias" pelos EUA e, em consequência, sofrerem ataques devastadores da Otan.

Os EUA apoiam a teocracia sunita do rei saudita Abdullah

EUA e Reino Unido fazem qualquer coisa para evitar desestabilizar seus aliados do Golfo Pérsico, como a teocracia wahhabita da Arábia Saudita e a monarquia absolutista do Bahrein. Além de produtores de petróleo, eles são peças fundamentais no xadrez geopolítico dos EUA na região. No Bahrein, inclusive, está sediada a 5ª Frota da Marinha americana, responsável pela defesa dos interesses de Tio Sam no Golfo Pérsico e Oceano Índico.

Enquanto o Ocidente está com todas as atenções voltadas para a Líbia - onde os britânicos, depois dos franceses, estão apoiando os insurgentes - a maioria xiita do Bahrein poderá ser massacrada à vontade. Eles nasceram no país "errado" e sua luta contra a ditadura é impertinente. Ninguém se importará com eles.    


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