O jornalista e médico Georges Clemenceau (1841-1929) foi um dos mais
brilh
antes líderes políticos franceses de todos os tempos. Conhecido como “o Tigre”, destacou-se tanto na oposição quanto no poder. Foi primeiro-ministro da França duas vezes (1906-1909 e 1917-1920); no último período, liderou a França na vitória na Primeira Guerra Mundial. Tenazmente anticlerical e crítico do militarismo, Clemenceau formulou o que talvez sejam as melhores definições sobre a guerra e seus operadores: “Fazer a guerra é de longe mais fácil do que fazer a paz” e “A guerra é uma coisa demasiada grave para ser confiada aos militares”.
A última reflexão continua válida até hoje e, em certas regiões como o Oriente Médio, onde a política e a religião estão interligadas, teria que se acrescentar: “a guerra é uma coisa demasiada grave para ser confiada aos militares ... e aos religiosos”. Veja-se o caso de Israel. As Forças Armadas israelenses – conhecidas como Forças de Defesa – estão entre as mais eficientes do mundo. Tiveram vitórias militares estrondosas em 1948, 1967 e 1973. Mas nos últimos anos, a ação dos militares israelenses, quase sempre brutal e desproprocional às ameaças, vêm se revelando um desastre atrás do outro. O episódio mais recente foi o ataque de comandos israelenses à flotilha internacional que levava ajuda humanitária a Gaza.
Como notou o
comentarista Giles Lapouge, talvez isso se deva ao aumento da influência dos religiosos sobre o Exército de Israel – que sempre se orgulhou de suas tradições liberais, como a incorporação de mulheres e gays em suas fileiras. Segundo o jornal Haaretz, em 1990 apenas 2% dos oficiais militares israelenses eram religiosos; hoje eles são 30%. “Na brigada Golani, seis dos sete coroneis são religiosos. Na brigada Kfir, especializada em ações antiterroristas na Cisjordânia, sete tenente-coroneis usam a kipá”, diz Lapouge. Há 20 anos, os oficiais do Exército vinham da esquerda (trabalhista) e dos kibutzim; hoje eles vêm de colônias ultranacionalistas. “E o Haaretz explica que, nestas colônias selvagens instaladas ilegalmente, os militares fornecem uma ajuda tácita aos colonos extremistas que residem ali”, conclui Lapouge.


A última reflexão continua válida até hoje e, em certas regiões como o Oriente Médio, onde a política e a religião estão interligadas, teria que se acrescentar: “a guerra é uma coisa demasiada grave para ser confiada aos militares ... e aos religiosos”. Veja-se o caso de Israel. As Forças Armadas israelenses – conhecidas como Forças de Defesa – estão entre as mais eficientes do mundo. Tiveram vitórias militares estrondosas em 1948, 1967 e 1973. Mas nos últimos anos, a ação dos militares israelenses, quase sempre brutal e desproprocional às ameaças, vêm se revelando um desastre atrás do outro. O episódio mais recente foi o ataque de comandos israelenses à flotilha internacional que levava ajuda humanitária a Gaza.
Como notou o

De Estado confessional, Israel está se transformando rapidamente num Estado teocrático. A metamorfose nas suas Forças Armadas, uma das instituições mais representativas do país, é uma prova disso.
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