segunda-feira, 19 de novembro de 2012

STALINGRADO: ONDE OS RUSSOS APRENDERAM A VENCER

Tropas da Wehrmacht em Stalingrado: batalha rua por rua

Há 70 anos começou a grande virada da Segunda Guerra Mundial em Stalingrado (atual Volgogrado), cidade soviética ao lado do rio Volga: foi a Operação Urano, em que o Exército Vermelho cercou e aniquilou o 6º Corpo do Exército alemão. Até então, os exércitos do III Reich tinham avançado na Europa sem encontrar resistência significativa, exceto dos britânicos. A invasão da União Soviética pelas tropas da Wehrmacht tivera início em agosto de 1941, mas, apesar do grande avanço em território russo, a poderosa máquina de guerra alemã não conseguiu tomar as cidades de Moscou nem Leningrado. Josef Stálin, que havia expurgado a cúpula do Exército Vermelho em 1938 e menosprezado os avisos da invasão iminente em 1941, passou a dar ouvidos aos seus generais, que recomendavam um recuo tático até terem condições de contra-atacar.      

Então, os nazistas se voltaram contra a região do Cáucaso, de grande importância econômica e militar devido a seus recursos energéticos, industriais e agrícolas. A invasão do Cáucaso foi batizada Operação Azul e teve início em 28 de junho de 1942. No final de julho a Wehrmacht já tinha avançado até a linha do rio Don. Começaram os preparativos para a invasão de Stalingrado, às margens do Rio Volga.

Os generais Jukov (esq.) e Chiukov
Stálin nomeou o marechal Andrei Yeremenko comandante da frente sudeste; ele o comissário político Nikita Kruchóv (futuro dirigente da URSS que denunciaria os crimes do Pai dos Povos) ficaram responsáveis pela defesa de Stalingrado. Tropas soviéticas foram trazidas pelo rio Volga para formar o 62º Exército soviético, sob o comando do general Vassili Chuikov, que recebeu ordens de defender a cidade a qualquer preço.

A Luftwaffe (Força Área alemã), sob o comando do general Barão Wolfram von Richthofen (sobrinho do Barão Vermelho, Manfred von Richthofen, ás da aviação alemã na I Guerra Mundial), começou a limpeza, fazendo os Junkers 88, Heinkel III e os Stukas despejarem mil toneladas de bombas sobre os habitantes de Stalingrado. A cidade ficou em ruínas.

Em Stalingrado, os soviéticos lutaram com fuzis, granadas, facas e pás 
No dia 12 de setembro de 1942 seis divisões alemãs de infantaria do 6º Exército e uma de panzers fizeram o primeiro assalto a Stalingrado. O peso inicial da defesa da cidade ficou por conta de um regimento de artilharia antiaérea composto por jovens voluntárias, sem treinamento militar algum. O comando da divisão panzer que as enfrentou disse que foi necessário eliminar uma a uma até que todas as baterias estivessem destruídas. Milícias de trabalhadores também participaram da defesa da cidade, inclusive tripulando tanques saídos diretamente das linhas de produção.
  
Apesar de empurrarem os defensores da cidade para uma franja de terra à beira do rio, eles não capitularam. Os soviéticos, escavando o solo como se fossem tatus, afirmaram-se nas margens do Volga, lutando com granadas, fuzis, pistolas, facas e pás e com o que estivesse à mão, de rua em rua, de casa em casa, nas ruínas, nos esgotos, nos entulhos. Os nazistas chamaram aquele tipo de luta de Rattenkrige, a “guerra de ratos”. Uma das poucas elevações da cidade, a colina de Mamaev Kurgan, foi tomada e retomada várias vezes. As baixas do Exército Vermelho eram tão grandes que a expectativa de vida de um soldado em combate não passava de um dia.

A contra-ofensiva do Exército Vermelho foi o turning point da II Guerra 
Em 19 de novembro de 1942, sob o comando do general Georgy Jukov, os soviéticos iniciaram seu contra-ataque, batizado de Operação Urano, cujo objetivo era envolver as divisões alemãs em Stalingrado. Sob um frio intenso, o fogo de milhares de canhões soviéticos abriu caminho para a ofensiva de um milhão de soldados do Exército Vermelho, cerca de mil tanques – principalmente os famosos T-34 – e 1.400 aviões. As tropas do general Vatutin, que formavam a pinça norte do ataque, irromperam contra o flanco dos exércitos do Eixo, enquanto ao sul as tropas de Konstantin Rokossovsky faziam o mesmo.

Os alemães foram cercados pelo Exército Vermelho e as tentativas de abastecê-los por meio de uma ponte aérea fracassaram. O general Erich von Manstein tentou romper o cerco com uma operação chamada Tempestade de Inverno, mas as tropas cercadas no interior da cidade já estavam sem abastecimento há tempos e não tiveram condições de colaborar com as demais tropas alemãs. Os soviéticos continuavam seu contra-ataque – a Operação Saturno –, ameaçando envolver os exércitos de Manstein, que foi forçado a abandonar sua tentativa de salvamento e retirar-se.

O Marechal-de-Campo Von Paulus, que se rendeu aos soviéticos  
Em 2 de fevereiro de 1943, o que restara do 6º Exército alemão rendeu-se aos soviéticos, contrariando as ordens de Adolf Hitler. O general Von Paulus, a quem o Führer promovera ao posto de marechal-de-campo dias antes na esperança de que ele não se rendesse – até então, nenhum marechal-de-campo alemão tinha se rendido – assinou a capitulação final. Ao ser comunicado do desastre, Hitler disse a Goebbels: “os deuses da guerra trocaram de lado”. A batalha de Stalingrado durou cinco meses. Estima-se que as tropas do Eixo – alemães, romenos, italianos e húngaros – sofrem 850 mil baixas, enquanto que os soviéticos tiveram 2 milhões de baixas entre civis e militares. Foi o começo do fim do reinado de terror e miséria do III Reich.

Um comentário:

  1. "Josef Stálin (...) passou a dar ouvidos aos seus generais, que recomendavam um recuo tático até terem condições de contra-atacar."

    Isso seria no caso específico de Stalingrado, ou em relação à Operação Barbarossa como um todo?

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