segunda-feira, 12 de novembro de 2012

A AMÉRICA LIBERAL


Além da reeleição de Barack Obama, vários episódios demonstram que os Estados Unidos estão longe de se transformar numa teocracia militarista-corporativa prevista por analistas mais à esquerda. A aprovação do consumo recreativo de maconha nos estados de Washington e Colorado é um exemplo. Outro foram os referendos que aprovaram o casamento entre pessoas do mesmo sexo nos Estados de Maryland, Maine e Washington (DF), juntando-se a outros estados que já reconhecem esse direito: Connecticut, Iowa, Massachusetts, New Hampshire, Vermont e Washington (DF). Na Flórida, 55%  dos eleitores rejeitaram um projeto que visava proibir o uso de fundos públicos para financiar abortos, exceto em caso de estupro, incesto ou risco para a vida da mãe. A exceção é a Califórnia, estado que costuma ser vanguarda em questões de comportamento, renegou sua reputação progressista ao rejeitar a abolição da pena de morte.

Tammy Baldwin, a primeira parlamentar gay
O próximo Senado dos Estados Unidos terá um número recorde de mulheres: 19 de um total de cem parlamentares na Casa, contra as 17 atuais. As mulheres se destacaram principalmente no Partido Democrata; as seis senadoras democratas que disputavam a reeleição venceram. Duas democratas eleitas serão as primeiras mulheres a representar seus Estados – Elizabeth Warren em Massachusetts e Tammy Baldwin, no Wisconsin. Tammy – que parece a irmã gêmea mais nova de Mick Jagger – é também a primeira senadora abertamente homossexual a ser eleita. Outra democrata, Mazie Hirono, é a primeira senadora de origem asiática do Havaí.

Mas o grande destaque foi Elizabeth Warren, 63 anos, eleita senadora pelo estado de Massachussetts, que já foi governado pelo candidato republicano derrotado, Mitt Romney. Ela defendia a regulação do sistema financeiro antes da crise dos “subprime” estourar em 2008 e a criação de uma agência de proteção financeira ao consumidor.

Elizabeth Warren, a nova sensação liberal
Como escreveu o colunista Elio Gaspari: “a banca torrou US$ 1,3 bilhão com lobistas para desidratar a reforma, mas não conseguiu impedir a criação da agência. Por qualquer critério, Warren seria encarregada de dirigi-la. A astuciosa oposição do secretário do Tesouro, Timothy Geithner, e a maleabilidade do companheiro Obama driblaram-na. Numa bonita cerimônia, ela foi encarregada de organizar a instituição, e tchau. Agora Warren chega a Washington como senadora, montada na vassoura da defesa da classe média.

Ela diz coisas que pareciam ter saído de moda. Por exemplo:

‘Neste país ninguém ficou rico à sua custa -ninguém. Você transporta seus produtos em estradas que nós pagamos; você contrata pessoas que foram educadas pelo sistema público, sua fábrica está segura porque nós pagamos a polícia e os bombeiros. (...) Nosso contrato social pressupõe que você receba uma parte dos benefícios e pague para que um garoto seja beneficiado por ele.’”

Os espíritos de George McGovern, Ted Kennedy, Martin Luther King, Adlai Stevenson e Eleanor Roosevelt devem estar sorrindo...

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