quinta-feira, 21 de junho de 2012

MEA CULPA


Meninos, errei!
Dias atrás, postei aqui meu incômodo com a aliança do PT com o Maluf em torno da candidatura de Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo. Pouco depois, a ex-prefeita Luiza Erundina renunciava estrepitosamente à sua candidatura de vice-prefeita, denunciando a aliança com Maluf como “espúria”. Mas, pera lá: a aliança virou espúria por causa daquela foto do Lula e Haddad com Maluf? A ex-prefeita aceitara o convite sabendo da aliança com o PP e, mesmo “agastada”, disse que não era de voltar atrás. Mas voltou. O que mudou? Uma foto? Francamente...  
  
Sabemos que o PSB paulista sempre andou de mãos dadas com os tucanos. Assim, a indignação da ex-prefeita, vejam só, cai como uma luva para que a seção paulista do partido possa continuar seu namoro com o PSDB. Erundina pode até ter sido ingênua, mas certamente os caciques do PSB não foram. Mas os puristas, principalmente os de esquerda, estão mais preocupados com a suposta “coerência” da ex-prefeita. Convicções fortes; memória fraca: ela se aliou ao Quércia, no passado, lembram-se?    

Getúlio Vargas recebe o apoio de Luís Carlos Prestes em 1945
De qualquer maneira, esse episódio só reforça a ideia de que política não se faz com o fígado. São meios, fins e estratégia; a ética da responsabilidade, não da convicção. Há adversário principal e aliados circunstanciais. Um jogo de xadrez. Em 1945, o líder comunista Luís Carlos Prestes saiu de nove anos na prisão para apoiar ninguém menos que Getúlio Vargas, cujo governo fora responsável pela deportação de sua mulher, Olga Benário, grávida, para a Alemanha nazista. Como comunista disciplinado, Prestes colocou os interesses do partido acima dos interesses pessoais. E o interesse do partido – e das forças democráticas – naquele momento era derrotar a direita, reagrupada em torno da UDN. E o inimigo da direita era Getúlio, o antigo algoz. O “cavaleiro da esperança” foi crucificado, mas como não reconhecer, hoje, a grandeza e a sabedoria política de seu gesto?

Pois é. Mesmo com décadas de experiência política, me deixei levar pelo canto das sereias moralistas. Mea culpa...

Abaixo, reproduzo artigo do meu amigo José Arrabal sobre o episódio:               

Vaidade, personalismo e rancor são péssimos instrumentos na política

Por José Arrabal

O que bem se sabe é que administrativamente São Paulo – município e estado – apodrece nas mãos dos demo-tucanos.

A educação pública aqui não condiz com a tradicional riqueza local, estando em processo de acelerada falência e sucateamento, seja no âmbito do ensino fundamental, seja no que se refere às três universidades regionais – USP, Unicamp e Unesp. Se algo funciona bem na educação local deve-se à responsabilidade, ao empenho pessoal dos professores, ainda que extremamente mal pagos.

O mesmo pode-se dizer da saúde pública paulista.

É também crescente o estado de insegurança em que vive a população estadual e municipal.

O transporte público paulista é uma fábrica de acidentes cotidianos, nas linhas férreas e no metrô.
Médicos do estado protestam por melhores salários

O descalabro administrativo antipopular dos demo-tucanos dilapida o município e o estado com suas intervenções neoliberais retrógradas, historicamente atrasadas e claramente contrárias aos reais interesses do povo trabalhador brasileiro.
Nem mesmo o apoio explícito da grande imprensa consegue esconder o descalabro administrativo em que vivem o município e o estado. Se há quem não enxerga isso, é cegueira que se deve a preconceitos socioculturais antipopulares existentes em segmentos da população mais privilegiada do município e do estado.

Verdade é que, se acontece alguma boa realização administrativa pública local, isso se deve à presença de algum financiamento ou de alguma política regional do governo federal para o município e o estado.

Derrotar o demo-tucanato, mudar o atual sentido antipopular de São Paulo - município e estado - é uma exigência urgente, uma questão de salvação regional, pode-se dizer até que é mesmo uma questão de boa higiene política.

Vale recordar aqui uma frase do primeiro-ministro inglês, Winston Churchill, por ocasião da II Grande Guerra: “Se Hitler invadisse o Inferno, eu cogitaria uma aliança com o demônio”.

O mesmo se pode parafrasear na atual urgência de se derrotar o demo-tucanato paulista por sua presença notoriamente nefasta e anti-popular em São Paulo - estado e município.

Por maior respeito que ela mereça, entendo que Luiza Erundina errou historicamente ao retirar-se da chapa da candidatura de Fernando Haddad.

Errou do mesmo modo que anteriormente errou e quebrou a cara devido a esse seu erro, ao aceitar de modo personalista um ministério no governo de Itamar Franco. Nada fez ou pode fazer de bom no Ministério e deixou o cargo humilhada, ciente de que cometera uma grande bobagem na sua história política pessoal.

Desconheço os bastidores das razões que levaram à atual renúncia de Luiza Erundina. Sei que na manhã de ontem, em entrevista pública, ela se confirmou com veemência como candidata a vice na candidatura de Fernando Haddad. No entardecer, mudou de ideia. Por conta disso não creio que foram razões éticas que a levaram à sua renúncia. Que ética é essa que muda da manhã para a tarde? Verdade é que vaidade, personalismo sectário e rancor são péssimos instrumentos na política. Lição que Luiza Erundina e mesmo Marta Suplicy parecem não compreender.

Verdade também é que urge derrotar o demo-tucanato em São Paulo – município e estado. O certo é que a vitória de Fernando Haddad em sua candidatura à prefeitura de São Paulo, além de ser um valiosa esperança pública de uma boa administração popular na cidade, será um passo fundamental para derrotar o governador Geraldo Alckmin em suas pretensões de reeleição daqui a dois anos.

Com Erundina ou sem Erundina na chapa, é isso que deve nos mobilizar a todos a favor da vitória da candidatura popular de Fernando Haddad. São Paulo – município e estado – não pode sucumbir por mais tempo à tragédia neoliberal, tacanha, dilapidadora e antipopular do demo-tucanato na região.

Bem se sabe que existe um bem sucedido projeto histórico nacional em andamento vitorioso a favor dos interesses do Brasil, da brasilidade e do povo trabalhador brasileiro construído e levado adiante em nosso país desde o governo do presidente Lula. Projeto que a presidenta Dilma Rousseff consolida com vigor crescente e grande aceitação nacional.

A presença do demo-tucanato governando São Paulo tudo faz para impedir e destruir o bom porvir desse projeto popular posto em andamento pelo governo da União nas gestões presidenciais de Lula e Dilma.

Fato que Luiza Erundina devia considerar para ajudar com sua presença junto da chapa com Fernando Haddad, sem qualquer gesto de vaidade, rancor ou personalismo possivelmente presentes em sua renúncia à candidatura a vice-prefeita. Ainda bem que seu partido – o PSB – manteve-se ao lado de Fernando Haddad.

Winston Churchill estava certo, em sua consideração durante a II Grande Guerra. O presidente Lula igualmente está certo, ao somar alianças viáveis para derrotar a tragédia administrativa e antipopular do demo-tucanato paulista.

Bem se sabe quem é e o que faz essa gente do demo-tucanato, que manda no estado há décadas. Bem se sabe quem é José Serra, o que é sabidamente ainda pior.

A questão que urge agora e sempre, nesta campanha municipal para conquistar a prefeitura paulistana, é e será somarmos forças a favor da candidatura de Fernando Haddad. Sem vacilar!

[...] 

2 comentários:

  1. Cláudio, confesso que aquela foto me provocou engulhos... Mas é como você disse: o fígado não é bom conselheiro nessas horas e há que se combater o tucanato.

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    1. A mim também. Tanto que a primeira postagem foi nessa direção. Mas fazer política com "sangue nos olhos" é uma herança maldita da ditadura e de uma concepção maniqueísta, quase religiosa, que só favorece nossos adversários. Nestas horas, só Maquiavel salva...

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