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terça-feira, 9 de novembro de 2010

UM DIA DE BRUMA, FOGO E BRISA


Napoleão Bonaparte no 18 Brumário
 9 de novembro de 1799: O Golpe do 18 Brumário – O general Napoleão Bonaparte lidera um golpe de Estado em 18 brumário (equivalente a 9 de novembro no calendário da Revolução Francesa) e se torna um dos cônsules da França. Ele teve o apoio do Exército e da burguesia, que queria “salvar a República” dos jacobinos, dos monarquistas e da ameaça austríaca. A instabilidade do Diretório – governo instaurado depois da queda dos jacobinos em 1794 – tinha levado Napoleão, herói nacional depois das vitórias militares francesas no Egito, a organizar o golpe. As tropas cercam o Palácio das Tulherias, onde se reuniam o Conselho Quinhentos (câmara baixa) e o Conselho dos Anciãos (câmara alta), e os pressionam a substituir o governo do Diretório pelo consulado triplo (Napoleão, Sieyès e Ducos). Napoleão logo acumula poderes e torna-se primeiro cônsul. Em 1804, proclama-se Imperador da França. Napoleão consolida as conquistas da revolução ao mesmo tempo em que esvazia seu conteúdo radical e jacobino.



9 de novembro de 1938: Kristallnacht (A noite dos cristais) – Atos de violência de bandos nazistas, instigados pelo governo de Adolf Hitler, foram praticados contra judeus em diversos locais da Alemanha e da Áustria naquela noite. Eram progroms, assassinatos e destruição de propriedades judaicas e sinagogas. O pretexto para a violência foi o assassinato do diplomata alemão Ernst von Rath em Paris, por um agitador judeu polonês. A violência foi organizada por Henrich Goering (chefe da Gestapo) e Reinhard Heydrich, um dos líderes das SS, e provocou a morte de 91 judeus e a destruuição de 1.600 sinagogas e 3.000 estabelecimentos judaicos. Cerca de 30 mil outros judeus (um quarto da população judaica masculina alemã) foram enviados a campos de concentração. A perseguição do regime aos judeus começara em 1933, com a convocação para que os cidadãos alemães boicotassem os estabelecimentos judeus. Em 1935, vieram as leis de Nuremberg, que proibiam o casamento de judeus e não-judeus. A "Solução Final" (o extermínio) veio em 1942, com a conferência de Wansee. Até 1945, seis milhões de judeus seriam mortos pelo III Reich em campos de extermínio.
http://www.youtube.com/watch?v=JDUhp-ZIwJQ&feature=player_embedded

9 de novembro de 1989: A Queda do Muro de Berlim - Construído em 1961 para evitar a fuga de cidadãos de Berlim oriental (comunista) para o Ocidente, o Muro de Berlim foi o principal símbolo da Guerra Fria. Tinha 66 quilômetros e 300 torres de observação. Durante 28 anos, 80 pessoas foram mortas e 112 ficaram feridas ao tentarem ultrapassá-lo. Por muitos tempo, a Alemanha oriental parecia ser o Estado inexpugnável do bloco soviético. Mas em 1989, uma onda de revoluções varreu os regimes stalinistas da Europa do Leste, favorecida pela decisão do dirigente soviético Mikhail Gorbatchóv de não intervir, como fizeram seus antecessores em Budapeste (1956) e Praga (1968). Em 9 de novembro de 1989, depois de manifestações em várias cidades da Alemanha oriental e da abertura da fronteira húngara, as autoridades alemãs orientais anunciaram que os cidadãos de Berlim oriental poderiam visitar Berlim ocidental. Multidões atravessaram o muro, juntando-se aos seus compatriotas ocidentais. A queda do muro levaria à derrubada do regime e à reunificação da Alemanha. 
  

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

QUE ARDA NAS PROFUNDEZAS DO INFERNO!

O almirante argentino Emílio Eduardo Massera morreu hoje aos 85 anos. Há alguns anos ele estava em estado vegetativo devido a um AVC. Foi um maiores facínoras da história latino-americana: um dos líderes do golpe militar de março de 1976, que derrubou a presidente María Estela Martínez de Perón, a Isabelita, Massera organizou a repressão na sinistra Escuela de Mecânica de la Armada (Esma). Por lá passaram 5 mil presos políticos; apenas uma centena sobreviveu. Condenado em 1985 à prisão perpétua, Massera foi indultado em 1990 por Carlos Menem, mas voltou aos tribunais depois que o governo Néstor Kirchner anulou o indulto.
Também conhecido como "almirante zero", Massera integrou a P-2, loja maçônica liderada por Lício Gelli, que integrava uma rede anticomunista internacional com relações com os EUA e o Vaticano, da qual faziam parte Silvio Berlusconi e o tenebroso José López Rega, secretário particular de Juan Domingo Perón e articulador do grupo terrorista AAA (Alianza Anticomunista Argentina).
Que a terra lhe seja insuportável.

BÚLGAROS CÉLEBRES I

Em homenagem à nossa presidente, cujos ancestrais paternos eram búlgaros, começo a fazer aqui um pequeno levantamento de alguns de seus conterrâneos famosos.

Georgi Dimitrov
Georgi Dimitrov (1882-1949), líder comunista, dirigente da III Internacional (Komintern, a internacional comunista) e por fim premiê da Bulgária. Resistiu ao golpe de Estado na Bulgária em 1923 e foi obrigado a fugir para a Iugoslávia, sendo condenado à morte in abstensia. Acabou indo para a União Soviética, onde viveu até 1929. Foi deslocado para Berlim para chefiar a seção Europa Central do Komintern. Ganhou notoriedade em 1933, quando foi preso com outros dois búlgaros sob a falsa acusação de ter organizado o incêndio do Reichstag (Parlamento). Dimitrov desmoralizou o julgamento e irritou líderes nazistas como Goering e Goebbels no Tribunal de Leipzig ao desmontar provas fabricadas, defender a posição dos comunistas e acusar os próprios nazistas de terem provocado o incêndio. O julgamento teve repercussão internacional e os nazistas, ainda engatinhando, foram obrigados a absolver e libertar Dimitrov.
(Stálin certamente tomou precauções para não repetir os erros dos nazistas nos Processos de Moscou, de 1936-1938).


Léon Blum e a Frente Popular na França (1936)
Dimitrov tornou-se secretário-geral da III Internacional em 1934 e conduziu a mudança da linha politica ultraesquerdista então vigente no organismo, a linha do "social-fascismo", que não reconhecia diferenças entre social-democratas e nazistas e foi em grande parte responsável pela vitória de Hitler. No VII Congresso do Komintern, em 1935, Dimitrov apresentou a proposta de formação de Frentes Populares, coalizões de forças antifascistas (comunistas, socialistas e democratas). Governos com esse caráter ganharam eleições na Espanha e na França (1936) e no Chile (1938) e essa política orientou os PCs durante a Segunda Guerra e por um longo período. A ideia de Frente Popular posteriormente daria origem a movimentos reformistas como o "Compromisso Histórico" do PCI com a Democracia Cristã na Itália e o Eurocomunismo, na Europa ocidental, uma tentativa de transformar alguns PCs em "terceira via" entre a social-democracia e o bolchevismo. Era a utopia da revolução por via democrática, que levou Salvador Allende ao poder no Chile em 1970 e foi tragicamente afogada em sangue em 11 de setembro de 1973.

Berlinguer, um dos pais do Eurocomunismo
Em 1946 Dimitrov se tornou primeiro-ministro da Bulgária, embora tivesse cidadania soviética. Tentou formar, com o dirigente iugoslavo Josip Broz Tito, uma Federação Balcânica que unisse a Iugoslávia, a Macedônia e a Bulgária, mas as negociações fracassaram. Tito acabaria sendo excomungado pelo movimento comunista internacional e a ideia da federação foi um pretexto para condená-lo - ao qual o próprio Dimitrov depois aderiu. O dirigente búlgaro sempre foi um fiel stalinista e instaurou um regime repressivo na Bulgária, mas seria um erro julgá-lo à luz das condições históricas atuais. Até a morte de Stálin, em 1953, muitos dos que depois seriam considerados reformistas - como Kruschóv e Imre Nagy - também eram stalinistas. Dentro das circunstâncias históricas - e o homem é ele e sua circunstância, segundo Ortega y Gasset - Dimitrov desempenhou um papel central na luta contra o fascismo. E a a ideia de Frente Popular inspirou tentativas de transformação social como o primeiro governo de François Mitterrand na França e os da Concertación no Chile.    

 

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

MULHERES PINTADAS


Madonna (Edvard Munch)

Higia (Gustav Klimt)


 


 

 

Eva (Gustav Klimt)



Mulher Sentada (Egon Schiele)








  

 

La Maya Desnuda (Goya)


Erik Satie, Gymnopedie nº 3

Erik Satie, Gnossienne nº 5
http://www.youtube.com/watch?v=DIBgRO3GXCo&feature=related


quarta-feira, 3 de novembro de 2010

SOMOS TODOS NORDESTINOS!


Em maio de 1968, em meio às manifestações estudantis que sacudiam a França, a extrema-direita acusou o líder da rebelião, Daniel Cohn-Bendit, de ser um "judeu-alemão", e não um francês legítimo. A "denúncia" foi repercutida até pelo carcomido PCF, que chamava o líder de "anarquista alemão". Em resposta, os estudantes nas ruas adotaram o slogan: "somos todos judeus-alemães!", demonstrando que a solidariedade contra o poder perpassava classes, etnias, nações e gêneros daquela geração rebelde que sonhava em mudar o mundo. Mais de 40 anos depois, o Brasil - país supostamente avesso a ódios e à xenofobia - vive um clima de intolerância religiosa e de preconceito, alimentado pela campanha eleitoral do candidato derrotado, José Serra, que, paradoxalmente, tem origens na esquerda revolucionária.

Essa campanha conseguiu trazer à tona o esgoto da sociedade brasileira: os preconceitos racistas contra nordestinos de uma parte de jovens bem nutridos da alta classe média do sudeste do país. Estes mauricinhos não têm nenhum limite, nenhuma noção de civilidade, de democracia e da alteridade. Por incrível que pareça, a onda atual foi desencadeada por uma tal de Mayara Petruso, estudante de Direito (???), que twitou uma mensagem em que pedia a morte dos nordestinos, "acusados" de serem os responsáveis pela eleição de Dilma Rousseff. Ela foi denunciada e execrada pela maioria dos usuários das redes sociais, mas essa infeliz criatura é apenas a parte visível do iceberg. O vídeo abaixo revela uma grande quantidade de jovens postando mensagens semelhantes, dignas do ideário nazi-fascista.   
http://www.youtube.com/watch?v=tCORsD-hx0w
Henrich Himmler, chefe das SS nazistas

Enquanto os jovens dos anos 1960, 1970 e 1980, com espírito rebelde, inconformista e transgressor lutavam por uma sociedade mais igualitária e justa, essa corja de burguesinhos mimados, egocentrados e boçais destila seu ódio de classe porque o país decidiu que não quer mais garantir o apartheid social que durou quase 500 anos. Houve uma geração que amava os Beatles e os Rolling Stones; parte da geração atual amaria Himmler, se tivesse cultura para saber de quem se trata. Mas assinariam embaixo a máxima do chefe das SS: 
"A crueldade gera respeito; podem odiar-nos, se quiserem; não queremos que nos amem, queremos que nos temam".
Felizmente, a maioria do povo brasileiro não pensa como eles. Mas não se pode subestimá-los, como não se pode subestimar o esgoto fascista. Contra essa canalha, SOMOS TODOS NORDESTINOS!

terça-feira, 2 de novembro de 2010

LUTA, SUBSTANTIVO FEMININO

Com a eleição de Dilma Rousseff como presidente, além da primeira mulher, chega ao poder a representante de uma geração que trocou o sonho dos anos dourados pela rebeldia contra a opressão e a injustiça. Muitos desses jovens que foram presos e torturados eram mulheres, como Dilma. Algumas delas não sobreviveram para ver este dia:  


Maria Ângela Ribeiro (morta em 1968)

Alceri Maria Gomes da Silva (morta em 1970)

Marilena Villas Boas Pinto (morta em 1971)
Nilda Carvalho Cunha (morta em 1971)
Iara Yavelberg (morta em 1971)
Heleny Telles Pereira Guariba (desaparecida em 1971)

Ana Maria Nacinovic (morta em 1972)
Aurora Maria Nasimento Furtado (morta em 1972)
Gastone Lúcia Pereira da Silva (morta em 1972)
Lígia Maria Salgado Nóbrega (morta em 1972)
Lourdes Maria Wanderley Pontes (morta em 1972)
Maria Regina Lobo Leite de Figueiredo (morta em 1972)
Ísis Dias Oliveira (desaparecida em 1972)
Helenira Rezende de Souza Nazareth (desaparecida em 1972)
Maria Lúcia Petit da Silva (desaparecida em 1972)


Lúcia Maria de Souza (desaparecida em 1973)
Maria Augusta Thomaz (desaparecida em 1973)
Paulina Reichstul (morta em 1973)
Ranúsia Alves Rodrigues (morta em 1973)
Anatália de Souza Melo Alves (morta em  1973)
Soledad Barret Viedma (morta em 1973)
Sônia Maria Lopes de Moraes Angel Jones (morta em 1973)


Suely Yumiko Kamayana (desaparecida em 1974)
Telma Regina Cordeiro Corrêa (desaparecida em 1974)
Walkíria Afonso Costa (desaparecida em 1974)
Áurea Eliza Pereira Valadão (desaparecida em 1974)
Dinaelza Soares Santana Coqueiro (desaparecida em 1974)
Dinalva Oliveira Teixeira (Dina - desaparecida em 1974)
Ana Rosa Kucinski Silva (desaparecida em 1974)
Jana Morone Barroso (desaparecida em 1974)
Luiza Augusta Garlippe (desaparecida em 1974)
Ieda Santos Delgado (desaparecida em 1974)
Maria Célia Corrêa (desaparecida em 1974)
Jane Vanini (desaparecida em 1974)

Maria Auxiliadora Lara Barcelos (morta em 1976)
Neide Alves dos Santos (morta em 1976)
Maria Regina Marcondes Pinto (desaparecida em 1976)
Zuleika Angel Jones (Zuzu Angel, morta em 1976)

Cálice, Chico Buarque e Milton Nascimento
http://www.youtube.com/watch?v=wV4vAtPn5-Q

sábado, 30 de outubro de 2010

BENTO XVI VAI EXCOMUNGAR SÃO TOMÁS DE AQUINO?

Joseph Ratzinger, um papa "leninista"
Vladimir Lênin
Joseph Ratzinger passou 1/4 de século no papel de “grande inquisidor” do papa João Paulo II, expurgando a Igreja dos defensores da Teologia da Libertação e de todos os que questionavam a visão integrista e reacionária do catolicismo. Essa contrarrevolução permanente praticamente enterrou as promessas renovadoras de João XXIII e de Paulo VI no Concílio Vaticano II e fez a Igreja Católica retroceder aos tempos do ultramontanismo de Pio IX, no século XIX, quando o Vaticano queria subverter as sociedades laicas e liberais baseadas nos valores iluministas da Revolução Francesa por uma teocracia católica. Bento XVI completou a contrarrevolução de João Paulo II com um toque “leninista”: para ele, a Igreja precisa aferrar-se à tradição e à ortodoxia para sobreviver num mundo dominado pelo relativismo, ainda que isso signifique a perda cada vez maior de fiéis. Como o útlimo Lênin, o implacável líder bolchevique, o atual pontífice acredita que “mais valem poucos, mas bons”. A vanguarda iluminada é sempre uma minoria...

Agora, Bento XVI retoma outro aspecto do ultramontanismo: a exigência de total obediência que os católicos devem ao Vaticano, passando por cima das peculariedades nacionais. Só isso pode explicar o apoio do pontífice à guerra dos bispos católicos contra os governo da Espanha por conta das leis que autorizaram o aborto e o casamento gay. Agora, o papa se meteu abertamente em assuntos internos do Brasil ao declarar que é dever os bispos brasileiros intervir na campanha eleitoral para condenar o aborto. Essa declaração é uma afronta à soberania nacional, ao Estado de Direito brasileiro e à cidadania. Como se não bastasse, o pastor alemão afirmou que a descriminalização do aborto constituia uma “traição aos ideais democráticos”. É como se Francisco Franco ou Augusto Pinochet se arvorassem em defensores do Estado Democrático de Direito.

O arcebispo Bernard Law
Bento XVI deveria cuidar do seu rebanho promíscuo. Desde os tempos de João Paulo II, a Igreja Católica vem sendo alvo de denúncias de pedofilia em vários países do mundo, principalmente nos EUA. Neste país, os escândalos ocorreram em quase todas as dioceses e envolveram 1,2 mil sacerdotes, que abusaram de mais de quatro mil crianças. O Vaticano tentou se fazer de morto para proteger os clérigos envolvidos nos abusos, mas a manobra fracassou  e a Igreja teve que pagar milhões de dólares em indenizações. O arcebispo de Boston, Bernard Law, um dos grandes acobertadores, teve que renunciar.

Entre 2001, quando o Vaticano adotou um novo protocolo para tratar dessas denúncias, e 2010, a Congregação para a Doutrina da Fé recebeu três mil denúncias de abusos sexuais contra padres. Apenas 10% deles foram expulsos da Igreja; outros 10% saíram por iniciativa própria. Os julgamentos são secretos e a Igreja não leva os suspeitos espontaneamente à Justiça.

Abaixo, uma pequena lista dos mais recentes escândalos de pedofilia revelados:

Maio/2006 – O Vaticano obrigou Marcial Maciel, fundador dos Legionários de Cristo, a abandonar suas funções sacerdotais depois de várias acusações contra ele por abuso sexual apresentadas por antigos membros desta congregação ultraconservadora mexicana. Maciel faleceu em janeiro de 2008;

Protestos de vítimas de abuso de padres católicos
 Novembro/2009 – O governo da Irlanda revelou a ocorrência de 30 mil casos de abuso nas últimas décadas em várias instituições para crianças administradas pela Igreja Católica no país. Bento XVI expressou “vergonha” e “arrependimento” de toda a Igreja pelos atos pedófilos e criticou o episcopado local. Seis bispos acabaram apresentando sua renúncia, quatro das quais foram aceitas;

Janeiro/2010 – Em Berlim, o reitor do colégio jesuíta Canisius reconheceu que alguns alunos sofreram abusos sexuais nos anos 70 e 80. Mais casos foram revelados posteriormente em outras escolas alemãs;
Março/2010:
- Na Holanda, a ordem dos salesianos abriu uma investigação sobre denúncias de abusos sexuais contra alunos de um internato da região de Arnhem (leste) nos anos 60;

- Na Alemanha, revelações de dois casos de abuso sexual foram confirmados, além de vários suspeitos no coro dos meninos cantores de Regensburg (Baviera), dirigido durante 30 anos pelo monsenhor Georg Ratzinger, irmão de Bento XVI;

- No Brasil, o Vaticano admitiu a existência de acusações contra sacerdotes por abuso sexual. Nas semanas seguintes, pelo menos seis outros escândalos de sacerdotes pedófilos vieram à tona;

- Nos EUA, o jornal The New York Times acusou Bento XVI de ter ocultado nos anos 1990 um sacerdote americano acusado de ter maltratado 200 crianças surdas de uma escola no Wisconsin;

Abril/2010 – O bispo de Bruges (Bélgica), Roger Vangheluwe, reconheceu ter abusado sexualmente de seu sobrinho. Será o primeiro bispo a se demitir por ter cometido abusos sexuais;

- Revelado que em 1985 Joseph Ratzinger resistiu em remover o padre Stephen Kiesle da diocese californiana de Oakland. Entre 1970 e 1980, Kiesle cometera uma série de abusos sexuais contra crianças, tendo sido condenado pela Justiça em 1978 por molestar duas meninas. O bispo de Oakland propôs à Santa Sé o afastamento do padre pedófilo, mas Ratzinger procastinou. Kiesle acabou afastado do sacerdócio em 1987; ele seria preso em 2002 por 13 casos de pedofilia nos anos 70.

Junho/2010 – A Conferência Episcopal Suíça indicou haver 104 vítimas de abuso sexual declaradas desde janeiro;

Setembro/2010 – A Igreja Católica da Bélgica publicou uma centena de depoimentos de vítimas de sacerdotes - de quase 500 recolhidos – e revela 13 casos de suicídio.

Mas não apenas de denúncias de pedofilia vive o pontificado de Bento XVI. Ele ofendeu os muçulmanos, sugerindo que o Islã é uma religião guerreira; os índios, afirmando que eles tinham sido “purificados” pela Igreja durante a conquista das Américas e os judeus, ao tentar reintegrar à Igreja Católica um notório antissemita e negador do Holocausto, o bispo tradicionalista Richard Williamson. Para o bispo, “nenhum judeu morreu em câmaras de gás”.

Milhares de crianças africanas são vítimas da Aids 
Não bastasse isso, Bento XVI reafirmou a postura reacionária de João Paulo II de oposição às pesquisas com células-tronco retiradas de embriões, esperança de cura para milhões de pessoas que sofrem de doenças neurovegetativas e incapacitantes. Mas pior ainda, quase criminosa, é a posição do papa de condenar o uso de preservativos para o controle da natalidade, mesmo em países afetados pela epidemia da Aids. Segundo o teólogo católico Hans Küng, a História julgará os dois papas como os maiores responsáveis pela propagação da Aids, especialmente em países africanos com populações católicas.

São Tomás de Aquino

Finalmente, sobre a questão do aborto, é bom lembrar que a posição retrógrada do Vaticano nem sempre foi consenso nem entre os católicos. Há uma doutrina desenvolvida nos primórdios da Igreja, a teoria da "hominalização" tardia, ou seja, o momento em que a alma anima o corpo. Emprestada dos gregos, esta teoria afirma que a alma humana só anima o feto por volta do terceiro mês de gravidez. Antes disso, qualquer forma de vida existente não era considerada humana. Para Santo Agostinho (séculos IV-V), um dos Padres da Igreja, só haveria aborto pecaminoso quando o feto tivesse alma humana, o que só aconteceria depois de o feto ter uma forma humana reconhecível. O grande Santo Tomás de Aquino (século XIII), o mais célebre teólogo da Idade Média, detalhou esse ponto de vista na Suma Teológica, baseado na filosofia de Aristóteles. Ele afirma que o embrião era habitado primeiramente por uma alma vegetal, depois pela alma animal, e só quando estava suficientemente formado é que a alma espiritual humana habitava o corpo. A posição de Tomás de Aquino sobre o assunto foi aceita pela Igreja no Concílio de Viena, em 1312. Portanto, a doutrina mais tradicional do cristianismo católico considerava que abortos realizados no início da gravidez não eram homicídios. Foi só em 1869 que Pio IX - o papa do ultramontanismo - declarou que o aborto constitui um pecado em qualquer situação e em qualquer momento que se realize.

Para ser coerente, Bento XVI deveria excomungar São Tomás de Aquino...