sexta-feira, 25 de maio de 2012

UMA GERAÇÃO FRACASSADA?



O professor Vladimir Safatle
Recentemente o professor Vladimir Safatle, da USP, escreveu um artigo intitulado A geração que quebrou o mundo, no qual ele diz que, aos 40 anos, lembra que, quando tinha 20, ouvia dizer que não havia mais luta política, que o mundo estava globalizado e que o que valia era a eficácia, a capacidade de assumir riscos, de ser criativo, inovador, de preferência em alguma agência de publicidade ou departamento de marketing. Contestação era coisa da geração de 1968, completamente superada e defasada. Se assumissem essa “nova realidade”, diz Safatle, as pessoas entrariam num futuro radiante onde só haveria vencedores, raves e os que ficassem para trás teriam um “problema moral” pelo fato de não assumirem riscos e a necessidade de inovar constantemente. Não por acaso, Steve Jobs é o ícone dessa geração, que defendia uma autêntica sociedade da “destruição criativa” de que falava o economista Joseph Schumpeter, acrescento eu.

Muita gente que acreditou nesse discurso há 20 anos acabou indo trabalhar no sistema financeiro (e alguns na mídia, acrescento eu). Safatle diz que eles – a sua geração – simplesmente conseguiram quebrar a economia mundial em 2008. Como epígonos de Hayek e Milton Friedman, insistiam que “não havia alternativa” ao modelo neoliberal globalizado e que as manifestações populares de protesto eram meras relíquias do passado pré-globalização. Mas, quando veio a crise, saíram correndo em busca da salvação do Estado que eles queriam mínimo. E hoje, os bancos que há três anos estavam prestes a quebrar, principalmente na Europa, estão superavitários, enquanto que os Estados vivem uma grave crise fiscal. Mas os banqueiros e o sistema financeiro internacional querem que milhões de trabalhadores tomem doses cavalares de austeridade, percam o emprego e suas economias para que Grécia, Portugal, Espanha, Irlanda e Itália paguem os juros da dívida e não afugentem os investidores. Não aprenderam nada.   

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