segunda-feira, 3 de maio de 2010

DISPERSÃO


Perdi-me dentro de mim

Porque eu era labirinto,

E hoje, quando me sinto,

É com saudades de mim.


Passei pela minha vida

Um astro doido a sonhar.

Na ânsia de ultrapassar,

Nem dei pela minha vida...


Para mim é sempre ontem,

Não tenho amanhã nem hoje:

O tempo que aos outros foge

Cai sobre mim feito ontem.

[...]

Eu não sou eu nem sou o outro.

Sou qualquer coisa de intermédio:

Pilar da ponte de tédio

Que vai de mim para o Outro.
(Mário de Sá-Carneiro, Poesias)

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