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segunda-feira, 25 de julho de 2011

VIDA LOUCA, VIDA BREVE

Amy Winehouse (1983-2011).
Como disse meu amigo Thales de Menezes, é hora de esquecer a imagem dos últimos anos, em que Amy Winehouse aparecia bêbada, esquecendo letras e cantando pouco. "Amy resgatou para este século a tradição das divas do soul dos anos 1950 e 1960, sejam negras ou brancas, americanas ou britânicas. [...] Ser atrevida, casca-grossa e tatuada atraiu atenções. Ao deixar isso de lado e ouvir suas canções, fica a certeza de que ali está uma intérprete única, um vozeirão", escreveu Thales.

















E outros astros pop que morreram aos 27 anos: 

Janis Joplin (1943-1970)







Jimi Hendrix (1942-1970)



sexta-feira, 22 de julho de 2011

E QUANDO O INFERNO NÃO SÃO OS OUTROS?

Vítimas do atentado terrorista em Oslo
Várias explosões e um franco-atirador abalaram hoje a pacata capital da Noruega, Oslo, fazendo 93 vítimas fatais. As bombas atingiram edifícios do governo no centro, entre eles o prédio onde trabalha o primeiro-ministro Jean Stoltenberg, que não foi atingido. Sete pessoas morreram e 15 ficaram feridas nesse atentado. Pouco depois das explosões, um homem vestido de policial abriu fogo num acampamento de verão da ilha de Utoya repleto de jovens militantes do Partido Trabalhista (no poder). Segundo a polícia, 87 pessoas morreram. O responsável pelos dois atentados foi Anders Breivik, 32, um norueguês de extrema-direita e fundamentalista cristão.  

Desta vez, o extremismo islâmico não teve nada a ver com os atentados - o que causou certo incômodo para explicar tanta violência. Aliás, num manifesto divulgado pela internet Breivik vitupera contra a "islamização da Europa" e descreve os muçulmanos como "animais selvagens", classificando como "traidores" os políticos que permitem a entrada de muçulmanos na Noruega como parte das medidas para o "multiculturalismo".

É interessante notar que, neste caso, embora seja conhecida a motivação política do crime, procura-se desculpas para o fato de o perpetrador do massacre ser branco de olhos azuis, norueguês e de ter chachinado seus próprios compatriotas. O crime seria um ato de "loucura" de um desajustado. Nem tanto. Freud explica: "o eremita rejeita o mundo e não quer saber de tratar com ele. Pode-se, porém, fazer mais do que isso: pode-se tentar recriar o mundo, construir em seu lugar um outro mundo, no qual os seus aspectos mais insuportáveis sejam eliminados e substituídos por outros mais adequados a nossos próprios desejos" (O Mal-estar da civilização).          

Atentado terrorista ao King David, perpetrado pelo Irgun em 1946 
Curiosamente, num dia como hoje, 22 de julho de 1946, um atentado a bomba atingiu o King David Hotel em Jerusalém, e também matou 91 pessoas (28 britânicos, 41 árabes, 17 judeus e cinco de outras nacionalidades) e provocando ferimentos graves em outras 45 pessoas. Daquela vez também os responsáveis não foram terroristas árabes, mas a organização terrorista judaica Irgun Zvai Leumi (Organização Militar Nacional), liderada por um tal de Menachem Begin, que acabaria primeiro-ministro de Israel. A Palestina então estava sob mandato britânico, um status semicolonial.

Numa prova que o discurso antiterrorista das autoridades de Israel é enviesado, o próprio Begin, quando primeiro-ministro, se orgulhava de seu passado de terrorista. E mais recentemente, em julho de 2006, Benjamin Netanyahu, atual premiê, e outros políticos da direita, participaram de um evento comemorativo ao 60º aniversário do atentado ao King David. Foi colocada uma placa comemorativa no local em homenagem ao Irgun. O episódio gerou descontentamento por parte do Reino Unido, cujo embaixador em Israel lamentou o fato das autoridades israelenses terem autorizado a colocação da placa para homenagear um ato terrorista. Imaginem os palestinos fazendo algo semelhante... 

quinta-feira, 21 de julho de 2011

OS MISTÉRIOS DE RUDOLF HESS

Os restos mortais de Rudolf Hess, um dos principais dignatários do regime nazista, foram retirados hoje do cemitério de Wunsiedel, na Bavária, exumados, queimados e jogados ao mar e seu túmulo foi destruído. A medida, segundo o jornal Süddeustsche Zeitung, foi tomada pelas autoridades para acabar com a peregrinação de neonazistas, que desde 2005 vêm acorrendo ao local todo dia 17 de agosto, aniversário da morte de Hess na prisão de Spandau, em Berlim.


Rudolf Hess
A trajetória de Rudolf Hess foi uma das mais enigmáticas do III Reich. Ele participou do fracassado putsch da cervejaria em Munique, em 1923, e ficou preso com Adolf Hitler. Na prisão de Landsberg, Hess transcreveu e editou o Mein Kampf, livro onde o futuro führer expunha suas ideias políticas. Com a ascensão dos nazistas ao poder, em 1933, Hess chegou a ser o terceiro na hierarquia do III Reich. Em maio de 1941, ele protagonizou um rocambolesco episódio que até hoje está envolto em mistério: voou para a Grã-Bretanha num Messerschmitt Bf-110 e saltou de paraquedas na Escócia. Uma das versões é de que Hess pretendia se encontrar o duque de Hamilton, a quem entregaria uma proposta de acordo pelo qual a Alemanha teria as mãos livres na Europa em troca de não mexer com o império britânico. O episódio ocorreu um mês antes de Hitler invadir a União Soviética na Operação Barbarossa. Hess foi preso e enviado à Torre de Londres. Na Alemanha, divulgou-se a versão de que ele “enlouquecera”. Em 1946, Hess foi condenado à prisão perpétua pelo Tribunal de Nuremberg. Mas, ao contrário de Albert Speer, Rudolf Hess não renegou seu credo nazista, mesmo depois de esse regime ter custado a aniquilação da Alemanha. Talvez por isso os neonazistas prestassem tantas homenagens a ele.

Os restos do Messerschmitt Bf-110 de Hess na Escócia
 O episódio da Inglaterra gerou inúmeras teorias conspiratórias. Uma das mais famosas diz que Hess foi vítima de uma armadilha montada pelo MI-6 (serviço de inteligência britânico), que teria interceptado a correspondência entre Hess e o duque de Hamilton. Os agentes então escreveram a Hess como se fossem o duque e Hitler, estimulado, teria mandado seu pupilo à Inglaterra com a proposta de que a Alemanha sairia da Europa ocidental em troca de ter as mãos livres para ocupar o leste europeu e a União Soviética. Outra versão, mais recente, diz que o MI-6 armou um complô para fazer Hess acreditar que alguns membros da família real, como o duque de Kent, conspiravam para depor Churchill.

A verdade, porém, só será conhecida em 2016, quando os últimos documentos oficiais secretos sobre o episódio forem liberados.

Rudolf Hess em Spandau
Rudolf Hess morreu em 1987 aos 93 anos na prisão de Spandau, onde ele era o único prisioneiro. Sobre sua morte também não existe consenso e as teorias conspiratórias correm solto. A versão oficial é de ele se suicidou por enforcamento. Mas há outra, a de que Hess teria sido assassinado por agentes britânicos. Esta versão sustenta que Hess estava tão debilitado que não teria conseguido se enforcar e que agentes do MI-6 infiltrados na prisão o teriam estrangulado para evitar que, uma vez em liberdade, pudesse revelar segredos embaraçosos para o governo britânico. Uma terceira versão sustenta que o homem julgado em Nuremberg em 1946 e mantido em Spandau por 40 anos não era Hess, mas um sósia. O argumento é que a autópsia de Hess não revelou a cicatriz de uma ferida que uma bala provocara em seu pulmão esquerdo durante a I Guerra Mundial. O verdadeiro Hess teria sido executado logo após sua captura. Um simples teste de DNA poderia esclarer essa dúvida, mas agora que queimaram o corpo...

quarta-feira, 20 de julho de 2011

JORNALISMO NO BANCO DOS RÉUS

Rupert Murdoch faz contrição na Câmara dos Comuns
O escândalo Murdoch talvez seja o caso mais grave de manipulação de grandes conglomerados de mídia. Mas essas práticas espúrias do jornalismo não foram criação do magnata; elas existem desde que os jornais eram feitos em linotipos e vendidos nas ruas por moleques que gritavam as manchetes. O problema é que esses escândalos respingam na própria reputação do jornalismo investigativo, tido como “o verdadeiro jornalismo”. Como escreveu o articulista Alexander Lebedev, no Guardian de hoje: suponha que, em vez de usar táticas sujas contra uma adolescente de 13 anos seqüestrada, ou famílias de soldados mortos no Afeganistão, os jornalistas de Murdoch estivessem fazendo isso contra corruptos e poderosos como Madoff ou Gadaffi? “O jornalismo investigativo está se tornando uma espécie em extinção”, diz Lebedev. “Os ricos e poderosos são sempre protegidos por inúmeros advogados e leis de privacidade. Depois dessas lições sobre jornalismo ilegal e obscuro, quem se arriscará a praticar o jornalismo investigativo apropriado? Vamos agora permitir que apenas os mercados e as mídias sociais façam esse trabalho? [...] Não vamos esquecer o outro lado da moeda. E, antes de jogar toda a culpa em Murdoch, vamos produzir dezenas de concorrentes de Murdoch que iluminem cantos escuros [...]”.

Curiosamente, num dia como hoje (20 de julho), só que de 1914, às vésperas da Primeira Guerra Mundial, começava o julgamento de Henriette Caillaux, que assassinara a tiros o editor do Le Figaro, Gaston Calmette. Ela era mulher de Joseph Caillaux, líder político radical que tinha sido primeiro-ministro e ministro das Finanças da França. Sintomaticamente, o público francês estava mais preocupado com esse affaire, que tinha pitadas de corrupção, sexo e fofocas, do que com a grande tensão internacional provocada pelo assassinato do herdeiro do trono austro-húngaro, o arquiduque Francisco Ferdinando, em 28 de junho em Sarajevo (Sérvia), que desembocaria na Grande Guerra pouco depois.



Henriette Caillaux
Como o socialista Jean Jaurès, Joseph Caillaux era pacifista e isso lhe valeu o ódio da direita nacionalista e clerical, que o acusava, em 1911, de ser “leniente” com a Alemanha. Ele foi obrigado a renunciar ao cargo de primeiro-ministro em 1912. Raymond Poincaré, eleito presidente da República em 1913, defendia uma legislação para estender o pagamento de impostos para financiar as Forças Armadas – medida que Caillaux, ministro das Finanças, apoiava em público, mas boicotava nos bastidores. Gaston Calmette, o mais poderoso jornalista da França e editor do Le Figaro, porta-voz da direita, ameaçava publicar documentos que provariam que Caillaux obstruíra a Justiça que investigava num escândalo financeiro em que ele estaria envolvido. O editor também dizia que publicaria cartas de amor trocadas entre Caillaux e Henriette quando ele ainda estava casado com sua primeira esposa.

Gaston Calmette
Quando Calmette fez menção de publicar a intercepção de comunicações telegráficas que demonstrariam a simpatia de Caillaux pela Alemanha, este apelou para o presidente Poincaré, ameaçando tornar públicos telegramas que revelavam negociações secretas de Poincaré com a Santa Sé. Diante da ameaça, o presidente negou oficialmente a existência dos telegramas germânicos. Calmette, entretanto, mantinha a ameaça publicar as cartas de amor de Caillaux a Henriette. Isso era inédito numa época em que os jornais respeitavam a vida privada – por mais picante que fosse – dos figurões da sociedade. Calmette foi assassinado na redação com seis no dia 16 de julho de 1914.   

Joseph Caillaux
Apenas uma semana depois de iniciado, o júri chegou a um veredicto sobre Henriette Caillaux: inocente. A alegação era que se tratava de um crime passional. Numa época em que o feminismo apenas engatinhava, nem mesmo os socialistas e republicanos tiham coragem de levantar bandeiras em defesa da mulher. Paradoxalmente, no entanto, foi esse machismo acabou beneficiando Henriette Caillaux: seu advogado, Fernand Labori, convenceu o júri de que o crime de Henriette não fora um ato premeditado, mas um crime passional, resultado de “incontroláveis emoções femininas”. Como na época era amplamente aceito a ideia de que as mulheres não eram tão fortes emocionalmente quanto os homens, madame Caillaux foi absolvida. A Grande Guerra que se seguiu encobriu o caso Henriette Caillaux. E seria outra mulher, a bailarina-espiã Mata Hari, faria ressuscitar, em pleno conflito, o gosto da imprensa por fofocas e celebridades.

Prisioneiros famosos de Saint-Lazare: Henriette Caillaux



terça-feira, 19 de julho de 2011

SUICÍDIO ANUNCIADO


O corpo de Salvador Allende
Hoje, depois de exumar o corpo de Salvador Allende, uma perícia médica concluiu o que já se sabia há tempos: o presidente socialista chileno suicidou-se com um tiro de fuzil AK-47 no dia 11 de setembro de 1973, depois que o Palácio de La Moneda foi bombardeado e atacado por forças militares golpistas. À frente deles estava um general calhorda chamado Augusto Pinochet, comandante do Exército, que dias antes havia jurado “sacrificar a vida” pelo presidente. O homem que tentou implantar o socialismo pela via democrática no Chile se recusou a se entregar às forças da direita, como Getúlio Vargas, repetindo-lhe o gesto dramático de agosto de 1954 – algo que Allende admirava, segundo o jornalista Flávio Tavares. Desta vez, no entanto, a História desmentiu Marx e se repetiu não como farsa, mas como tragédia ampliada. Ou tragédia organizada, como disse o escritor colombiano Gabriel García Márquez, já que o golpe estava sendo orquestrado por Washington desde 1970. A infame ditadura de Pinochet infelicitou o povo chileno por 17 longos anos, mas finalmente as “novas alamedas” se abriram – embora muito mais tarde do que cedo...

Abaixo, o último discurso de Allende – sua “carta-testamento”.

"Certamente esta será a última oportunidade de falar para vocês. A Força Aérea bombardeou as torres da Rádio Postales e Rádio Corporación. Minhas palavras não têm amargura, mas decepção que são elas o castigo moral para aqueles que traíram o juramento que fizeram: soldados do Chile, comandantes titulares, o almirante Merino, que se autodesignou comandante da Marinha, e o senhor Mendoza, general rasteiro que ainda ontem manifestara sua fidelidade ao governo, e também se autodenominou diretor geral da polícia. Perante estes fatos, só posso dizer aos trabalhadores: Eu não vou renunciar!

O Palácio La Moneda sob bombardeio

Colocado numa transição histórica, pagarei com minha vida a lealdade do povo. E lhes digo que tenho certeza de que a semente que temos entregue à consciência digna de milhares e milhares de chilenos não poderá ser ceifada definitivamente.


Eles têm a força e poderão nos submeter; porém, não se detêm os processos sociais nem com os crimes e nem com a força. A história é nossa, e os povos a fazem.

Trabalhadores de minha Pátria: quero agradecer a lealdade que sempre tiveram, a confiança que depositaram em um homem que foi apenas intérprete de grandes anseios de justiça, que empenhou sua palavra em respeito à Constituição e a lei, e que assim fez. Neste momento decisivo, o último em que eu posso dirigir-me a vocês, quero que aproveitem a lição: o capital estrangeiro, o imperialismo, unidos à reação, criaram o clima para que as Forças Armadas rompessem sua tradição, aquela que ensinou o general Schneider e reafirmada pelo comandante Araya, vítimas do mesmo setor social que hoje estão em casa esperando com mãos alheias recuperar o poder de continuar a defender os seus lucros e seus privilégios.
Dirijo-me, sobretudo, à mulher simples de nossa terra, a mulher camponesa que acreditou em nós, a avó que trabalhou mais, à mãe que soube de nossa preocupação para as crianças. Dirijo-me aos profissionais da Pátria, os profissionais patriotas que continuaram trabalhando contra a sedição patrocinada por escolas privadas, por classes que defendem também as vantagens de uma sociedade capitalista de uns poucos.

Dirijo-me à juventude, àqueles que cantaram e deram sua alegria e seu espírito de luta.

Dirijo-me ao homem do Chile, ao operário, ao camponês, ao intelectual, àqueles que serão perseguidos, porque em nosso país o fascismo já se faz presente por muitas horas, nos ataques terroristas, explodindo pontes, cortando a linha férrea, destruindo os oleodutos e gasodutos, frente ao silêncio de quem tinha a obrigação de impedir. Eles não impediram. A história os julgará.

Seguramente a Rádio Magallanes será calada e o metal tranqüilo de minha voz não chegará até vocês. Não importa. A audiência vai continuar. Eu sempre estarei com vocês. Pelo menos minha lembrança será a de um homem digno que foi leal à Pátria.


O povo deve defender-se, mas não sacrificar-se. O povo não deve deixar-se ser destruído ou crivado de balas, mas também não pode inclinar-se.


Trabalhadores da minha pátria, tenho fé no Chile e no seu destino. Outros homens superarão este momento cinzento e amargo em que a traição pretende impor-se. Sigam vocês sabendo que, muito mais cedo que tarde, de novo se abrirão as grandes avenidas por onde passará o homem livre, para construir uma sociedade melhor.

Viva o Chile! Viva o povo! Vivam os trabalhadores!

Estas são as minhas últimas palavras e tenho a certeza de que meu sacrifício não será em vão, tenho a certeza de que, pelo menos, será uma lição moral que castigará a perfídia, a covardia e a traição.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

GIGANTE EM TEMPOS DE PIGMEUS


Franklin Roosevelt
Até os anos 1960, a política internacional era dominada por estadistas do calibre de Franklin D. Roosevelt, Winston Churchill, Konrad Adenauer, Charles De Gaulle e Alcide De Gasperi, entre outros. A sofisticada visão histórica e a habilidade política desses líderes lhes permitiram enfrentar os dramáticos desafios colocados em seu tempo. Mas, de lá para cá, a qualidade dos dirigentes mundiais só vem caindo, atingindo um nível inimaginável apenas 20 anos atrás. Hoje, em meio a líderes tão patéticos como George W. Bush, Tony Blair, Angela Merkel, Nicholas Sarkozy e Silvio Berlusconi, mediocridades como Gerald Ford, Edward Heath, Helmut Schmidt, Georges Pompidou e até Giulio Andreotti se agigantam. É a conseqüência da espetacularização da política trazida pelo mundo pós-moderno – ou “líquido”, na definição de Zigmunt Bauman –, onde tudo que é sólido se desmancha no ar.
Nelson Mandela

Mas há uma exceção importante – e essa exceção impressiona pelo gigantismo do personagem. Trata-se de Nelson Rolihlahla Mandela, que hoje completa 93 anos. Ele se tornou o símbolo da luta contra uma das mais ignominiosas crias da civilização ocidental e cristã, o apartheid, regime de supremacia  branca na África do Sul que se baseava na leitura holandesa "reformada" da Bíblia sobre o “desenvolvimento separado” das raças. Mandela foi o líder da resistência armada ao apartheid, o maior símbolo da luta contra a tirania branca na África. Mas pegar em armas, embora tenha lhe custado 27 anos de prisão, foi mais "fácil" do que a ciclópica tarefa de liderar a transição do apartheid para uma democracia multirracial sem provocar um cataclismo social e político. Mandela reconciliou um país dilacerado por ódios profundos, quando poderia tê-lo mergulhado numa guerra civil em nome da vingança dos oprimidos. E, em vez de se eternizar no poder, como a maioria dos líderes de guerras de libertação, retirou-se depois de apenas um mandato. Poucos na História tiveram essa estatura.

    

domingo, 17 de julho de 2011

E LA NAVE VA




Deu na Agência Estado:
“A presidenta Dilma Rousseff afirmou neste sábado, em solenidade de início da construção do primeiro submarino nacional, que os submarinos construídos pelo País vão compor um quadro de defesa nacional ‘capaz de garantir ambiente pacífico no nosso País e garantir a segurança das nossas riquezas’. Em ato simbólico, Dilma participou do corte de uma chapa de aço na sede da Nuclebrás Equipamentos Pesados (Nuclep), no município de Itaguaí, a 70 km do Rio de Janeiro.


A chapa não será usada em submarinos. Ficará como uma espécie de marco da entrada do País no ramo da construção de veículos submersíveis de grande porte. Dilma recebeu também uma réplica do submarino convencional. ‘Esses submarinos vão compor um quadro de defesa nacional, jamais de ataque, porque somos um país comprometido com a paz. O País passa a ter um valor muito grande com a descoberta do pré-sal na plataforma continental’, afirmou a presidente.


Ela ressaltou que o início da construção de submarinos é um ‘momento estratégico’ para o País. ‘Sabemos que um pequeno grupo de países domina a construção do submarino, em especial os de propulsão nuclear. O Brasil dá mais um passo em direção à afirmação cada vez maior de sua condição de país desenvolvido, com indústria sofisticada’, disse a presidente, lembrando que o grande mérito da operação foi a transferência de tecnologia.


O Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub) da Marinha prevê a construção de quatro unidades convencionais (sigla S-BR, de submarino brasileiro), da classe Scorpène, com tecnologia francesa. Firmado em 2008 na França, o contrato, que prevê transferência de tecnologia para o Brasil, está orçado em R$ 6,7 bilhões.

De acordo com a Marinha, o primeiro dos quatro submarinos deverá estará pronto em 2016, com a entrada em operação marinha em meados do ano seguinte. O Ministério da Defesa informou que o corte da chapa de aço significa o primeiro passo para a construção do submarino brasileiro com propulsão nuclear (SN-BR), cuja previsão de entrega é 2023.


Na solenidade, também foi anunciada a construção de um estaleiro, com término da obra fixado em 2014. Também será erguida em Itaguaí uma base naval e a Unidade de Fabricação de Estruturas Metálicas (Ufem). A Nuclep produzirá os cilindros que formarão os corpos dos submarinos.


Segundo o Ministério, as obras físicas gerarão 9.000 empregos diretos e 27 mil indiretos. As obras dos submarinos empregarão 10 mil trabalhadores, dos quais 2.000 diretos.”

Janot de Matos, o almirante-bucaneiro

E pensar que, no governo do iluminado FHC, estivemos quase a ponto de enterrar o projeto de submarino nuclear, numa operação comandada pelo almirante Euclides Janot de Matos, que foi chefe do Estado-Maior da Armada e quase chegou ao comando da Marinha. Em 2009, Janot se tornou o primeiro oficial de quatro estrelas das Forças Armadas brasileiras a ser preso por corrupção. Ele foi fisgado na Operação Luxo, da Polícia Federal do Ceará, junto com os donos do estaleiro Inace (Indústria Naval do Ceará) e da empresa Marimar. Todos são acusados de integrar um esquema de importação ilegal de artigos subfaturados. O ponto de partida foi uma denúncia oferecida em 2006 pelo Ministério Público Federal do Ceará. Nela, Matos é acusado de receber de presente o Bucaneiro, um trawler (espécie de superiate), por intermediar ilegalmente negócios do Inace com a Marinha.