quinta-feira, 4 de outubro de 2012

A DIREITA E OS BODES EXPIATÓRIOS



O antropólogo francês René Girard 
Desde a época de Getúlio Vargas, o discurso conservador é expressão daquilo que René Girard chama de “rito sacrificial”: a individualização das mazelas políticas e a consequente ideia de que, extirpando-se os “maus”, teremos a prevalência da “boa política”. Os argumentos bramidos por Carlos Lacerda contra o “mar de lama” de Vargas são os mesmos esgrimidos agora pela mídia conservadora contra os “mensaleiros”.

Nada mais ingênuo do que esse discurso moralizante e purgativo. Como explica Girard, toda sociedade em seus primórdios experimentou o evento de uma crise de violência generalizada que ameaçava a sua própria existência. Essa crise só acabava com o sacrifício de uma vítima escolhida arbitrariamente, sobre a qual foram despejados todos os ódios e desejos de vingança, restaurando-se a paz social e fundando-se a própria sociedade politicamente organizada. Girard descobre a descrição figurada parcial ou total da rivalidade mimética, da escalada de violência e do sacrifício de vítimas expiatórias.

Ao individualizar a corrupção e sem denunciar o sistema que a engendra, da qual é beneficiária, a direita alimenta as ilusões das classes médias – velhas e novas – com pendores “qualunquistas” e “poujadistas”. 
  

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