segunda-feira, 26 de março de 2012

SERRA, O RATO E O REI DE EPIRO

Serra sai das prévias menor do que entrou. Foi como se a montanha parisse um rato ou, como diziam os mais antigos, foi uma "vitória de Pirro". Depois do texto da CartaMaior, esclareço aos mais novos, que porventura o ignorem, o signifcado desta expressão.  

Quando a vitória fragiliza e desgata


Da CartaMaior

Há vitórias que desconcertam pela intrínseca dimensão crepuscular que carregam. Em geral atestam o fim de um ciclo, quando o trunfo imediato mais revela uma perda de tônus do que reafirma uma supremacia promissora. Foi um pouco esse o sabor amargo do trunfo entre aspas conquistado por José Serra na prévia deste domingo do PSDB para a escolha do candidato do partido à prefeitura de São Paulo.

Ao obter apenas 52,1% dos votos, de um total 6.229 filiados que participaram do escrutínio, Serra expôs a marca dolorosa de uma rejeição intuída entre seus próprios pares. Toda a máquina do partido e a mídia amiga trabalhando a favor revelaram-se insuficientes para contornar a enorme resistência que o seu nome gera no seio do próprio conservadorismo nacional.

O grande vitorioso foi a rebeldia do secretário estadual tucano José Aníbal, que se recusou a renunciar a favor de Serra, obtendo o surpreendente apoio de 31,2 % dos votantes; o deputado federal Ricardo Tripoli amealhou outros 15,7 %, cravando o 3º lugar. Os serristas não escondiam a decepção com uma vitória que mais fragiliza e desgasta do que consagra.

Imaginava-se fazer da convenção uma gigantesca operação reiterativa do suposto favoritismo do candidato na disputa municipal, dando-lhe mais de 80% dos votos – "para não passar a impressão de que o partido entra dividido na corrida eleitoral". Deu-se o inverso.

A vitória decepcionante entre seus pares foi o revés oposicionista mais eloquente sofrido pelo ex-governador numa disputa municipal que apenas se inicia. Ela gerou um fato político mais grave do que um eventual crescimento das intenções de voto entre os seus adversários. Por uma razão incontornável: o resultado mostrou de maneira inequívoca que a liderança de Serra sofre o peso de um teto e não tem mais horizonte de crescimento ou de apoio nem entre os tucanos. Um palavra para exprimir esse estágio é declínio; convenhamos, não soa exatamente como um bordão eleitoral empolgante e mobilizador."

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Essa situação insólita me faz lembrar uma expressão antiga, a “vitória de Pirro”, utilizada para expressar uma vitória obtida a preço tão alto que outras vitória iguais significariam a ruína do vencedor. É uma menção às vitórias do rei Pirro, de Epiro (Macedônia) contra os exércitos romanos nas batalhas de Heraclea e Ásculo, entre 280aC e 279aC. Depois dessa última, o historiador Plutarco apresenta um relato feito por Dionísio de Halicarnasso (que daria origem à célebre expressão):


O rei Pirro, de Epiro

“Os exércitos se separaram; e, diz-se, Pirro teria respondido a um indivíduo que lhe demonstrou alegria pela vitória que "uma outra vitória como esta o arruinaria completamente". Pois ele havia perdido uma parte enorme das forças que trouxera consigo, e quase todos os seus amigos íntimos e principais comandantes; não havia outros homens para formar novos recrutas, e encontrou seus aliados na Itália recuando”.

As guerras pírricas mostraram que os Estados da Grécia continental tinham se tornado incapazes de controlar as colônias da Magna Grécia (sul da Itália) e que as legiões romanas se mostraram capazes de enfrentar os exércitos dos reinos helenísticos. Com isso, abriu-se o caminho para o domínio romano sobre as cidades-Estado da Magna Grécia e para a consolidação do poder de Roma em toda a Itália.

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