
Chile, 11 de setembro de 1973: golpe militar inaugura 17 anos de ditadura
http://www.youtube.com/watch?v=es2OH27gc-k&feature=related

Portugal, 25 de abril de 1974: golpe põe fim a 40 anos de ditadura salazarista
Trata-se de um blog despretensioso de um jornalista dublê de sociólogo que deixou as grandes redações depois de ter acumulado décadas de experiência e, em função disso, acredita que tenha algo a transmitir a eventuais leitores... além de, claro, cumprir o dever de ofício de ajudar a "desafinar o coro dos contentes", como dizia Torquato Neto, e de "consolar os aflitos e afligir os consolados", como pregava Joseph Pulitzer.



te da Costa Rica, Óscar Árias, escreveu uma carta aberta ao presidente
do Uruguai, José Mujica, na qual propôs a abolição das Forças Armadas daquele país platino. Na carta, Árias argumenta que as Forças Armadas são a fonte da "mais ingrata memória coletiva" na América Latina. "Foi a bota militar a que pisoteou os direitos humanos em nossa região. Foi a voz do general que pronunciou as mais cruentas ordens de captura contra estudantes e artistas. Foi a mão do soldado que disparou nas costas do povo inocente. No melhor dos cenários, os exércitos latino-americanos representaram um gasto proibitivo para nossas economias; no pior, significaram um obstáculo permanente para nossas democracias". É uma proposta sedutora mas traiçoeira, como as de muitas Ongs que mascaram interesses escusos.
e contas com suas Forças Armadas para torná-las aptas às novas tarefas
dos tempos democráticos e globalizados. Por trás das boas intenções de Árias está o desejo do Pentágono, verbalizado pela primeira vez nos anos 1990, na época de George Bush (pai), de que os Exércitos latino-americanos deveriam ser substituídos por forças policiais, tornando-se meras forças auxiliares dos EUA no combate ao narcotráfico. Assim, Tio Sam, que não precisa mais dos serviços dos militares para manter a ordem no quintal, garantiria a segurança externa dos países da região.
em 2 de abril de 1982, as tropas da ditadura militar argentina inva
diam o arquipélago das Malvinas - Falklands, para os britânicos - provocando uma reviravolta no sistema de alianças geopolíticas da Guerra Fria. Os argentinos receberam o apoio óbvio das ditaduras militares de direita, como a do Brasil, mas também de esquerda, como a de Cuba - em nome do "anti-imperialismo". Os Estados Unidos, rasgando os acordos interamericanos como o TIAR, apoiaram os britânicos. Em Buenos Aires, milhares de pessoas ocuparam o lugar das Madres na Plaza de Mayo para manifestar apoio ao general Leopoldo Fortunato Galtieri, o Napoleão de opereta que planejara a aventura para salvar o regime que se decompunha. Lembro-me de cenas inacreditáveis, kafkianas mesmo, como ex-guerrilheiros Montoneros, recém saídos das masmorras do regime, se juntando à histeria nacionalista.
. Os argentinos estavam tão despreparados militarmente que perderam o cruzador General Belgrano, afundad
o pelos britânicos, e tiveram que esconder o porta-aviões 25 de Mayo para que este não tivesse o mesmo destino. A pantomima de Galtieri custou a vida de 649 soldados argentinos e 255 britânicos e minou de vez os alicerces daquele regime sanguinário, que seria varrido do mapa naquele mesmo ano. De quebra, foi decisivo para a reeleição de Margaret Thatcher em 1983. Para mim, permanece incompreensível o apoio de certa esquerda - não apenas argentina, mas latino-americana - àquela patriotada. Falavam em "autodeterminação dos povos", mas esqueceram-se de perguntar a opinião dos kelpers, os habitantes das ilhas, que sempre se consideraram súditos de Sua Majestade Britânica. Pior: deram pouca importância às consequências de uma eventual vitória argentina - a perpetuação de um regime genocida.