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quinta-feira, 8 de abril de 2010

A DANÇA DAS BAIONETAS


Chile, 11 de setembro de 1973: golpe militar inaugura 17 anos de ditadura

http://www.youtube.com/watch?v=es2OH27gc-k&feature=related





Portugal, 25 de abril de 1974: golpe põe fim a 40 anos de ditadura salazarista



quarta-feira, 7 de abril de 2010

DESCIDA AOS INFERNOS


"É fácil descer até o Inferno; noite e dia, os portões da Morte escura permanecem abertos; mas subir de volta, refazer os passos de alguém até a atmosfera superior - aí está a dificuldade, a questão"

Virgílio, Eneida

UM GÊNIO BEM-HUMORADO

“É mais fácil explodir um átomo que um preconceito”

“Se a minha teoria da relatividade estiver correta, a Alemanha dirá que sou alemão, e a França, que sou cidadão do mundo. Mas se eu estiver errado, a França sustentará que sou alemão, e a Alemanha garantirá que sou judeu”

“A palavra Deus para mim é nada mais que a expressão e produto da fraqueza humana, a Bíblia é uma coleção de lendas honradas, mas ainda assim primitivas, que são bastante infantis”


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“Você entende a relatividade quando vê que 1 hora com a sua namorada parece 1 minuto, e 1 minuto sentado num formigueiro parece 1 hora”
(Albert Einstein)

segunda-feira, 5 de abril de 2010

DE BOAS INTENÇÕES O INFERNO ESTÁ CHEIO...

O presidente da Costa Rica, Óscar Árias, escreveu uma carta aberta ao presidente do Uruguai, José Mujica, na qual propôs a abolição das Forças Armadas daquele país platino. Na carta, Árias argumenta que as Forças Armadas são a fonte da "mais ingrata memória coletiva" na América Latina. "Foi a bota militar a que pisoteou os direitos humanos em nossa região. Foi a voz do general que pronunciou as mais cruentas ordens de captura contra estudantes e artistas. Foi a mão do soldado que disparou nas costas do povo inocente. No melhor dos cenários, os exércitos latino-americanos representaram um gasto proibitivo para nossas economias; no pior, significaram um obstáculo permanente para nossas democracias". É uma proposta sedutora mas traiçoeira, como as de muitas Ongs que mascaram interesses escusos.

A carta de Árias vem embalada na autoridade moral de seu país: em 1948, depois de uma cruenta guerra civil, o presidente José Figueres Ferrer (à dir.) aboliu as Forças Armadas da Costa Rica, no bojo de um amplo programa de reformas. Sem dúvida, foi um feito audacioso no início da Guerra Fria, quando Washington começava a armar e treinar os exércitos de países do Terceiro Mundo para que preservassem a ordem pró-americana, abrindo um período de golpes militares. Foi assim no Irã em 1953 e na Guatemala em 1954, entre outros. Ao abolir a instituição militar, a Costa Rica conseguiu se livrar dessa praga. E o próprio Árias, como presidente costa-riquenho na década de 1980, incentivou o processo de paz na América Central, num momento em que os Estados Unidos tentavam, armando um movimento insurrecional, depor o governo sandinista da Nicarágua.

Mas o ressurgimento dessa proposta neste momento histórico está completamente fora de contexto. Depois de décadas de ditaduras militares, os países sul-americanos estão em processo de ajuste de contas com suas Forças Armadas para torná-las aptas às novas tarefas dos tempos democráticos e globalizados. Por trás das boas intenções de Árias está o desejo do Pentágono, verbalizado pela primeira vez nos anos 1990, na época de George Bush (pai), de que os Exércitos latino-americanos deveriam ser substituídos por forças policiais, tornando-se meras forças auxiliares dos EUA no combate ao narcotráfico. Assim, Tio Sam, que não precisa mais dos serviços dos militares para manter a ordem no quintal, garantiria a segurança externa dos países da região.

Esperto, Mujica recusou a proposta, que qualificou de "muito bonita" mas pouco realista. O ex-guerrilheiro disse que quer o Exército de seu país engajado na luta contra a pobreza. "É a última utopia", disse o ex-tupamaro.

sábado, 3 de abril de 2010

O PAI DA POLÍCIA POLÍTICA

Joseph Fouché (1763-1820) foi o inventor da moderna polícia política. Fanático, impiedoso e calculista, esse ex-seminarista aderiu à ala mais radical da Revolução Francesa, os jacobinos. Durante o Terror de 1793-94 limpou impiedosamente a região de Nantes-Lyon de contra-revolucionários, sendo responsável pela execução de quase duas mil pessoas. Em 1794, ao perceber que Robespierre acumulava inimigos, juntou-se aos conspiradores do Termidor que derrubaram o Comitê de Salvação Pública. Mestre na arte da intriga, ajudou a articular o golpe do 18 Brumário de 1799, que levou o general Napoleão Bonaparte ao poder. Apoiado pelo sinistro Talleyrand, Fouché foi nomeado ministro da Polícia do consulado. Mostrou sua eficiência ao desvendar uma tentativa de assassinato do primeiro-cônsul. A partir daí, Napoleão deu-lhe carta branca. Logo espalhou sua rede de informantes por toda a França. Fazia dossiês para o imperador que cobriam desde as intrigas palacianas, reações às medidas do governo, deserções no Exército, prisões de estrangeiros e a correspondência interministerial. Segundo Stefan Zweig, um de seus biógrafos, a guilhotina tornou-se um instrumento grosseiro comparado à refinada máquina policial que Fouché montara. Serviu-se especialmente de trânsfugas radicais, que recrutou como espiões. Estorquia bordéis e cabarés para financiar a repressão contra os adversários do regime. Ardiloso, conspirou contra Napoleão em 1814, voltou a juntar-se a ele durante os Cem Dias e novamente aliou-se aos inimigos do imperador depois da derrota em Waterloo. Fouché, que como deputado votara em 1792 pela execução do rei Luís XVI, voltou como ministro de Polícia do regime reacionário de Luís XVIII, irmão do monarca guilhotinado. Assim, o revolucionário que usou o terror contra os defensores dos Bourbons não hesitou em perseguir implacavelmente os inimigos da restauração.
Joseph Fouché e sua obra viraram fonte de inspiração para a maioria das polícias políticas de regimes totalitários e ditatoriais, da Tcheca e da NKVD dos bolcheviques à Gestapo dos nazistas; do DOPS brasileiro à DINA chilena. Até chefes de polícia de países democráticos, como J. Edgar Hoover, "dono" do FBI por quase 50 anos, adotaram seus métodos de espionar os próprios cidadãos.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

MALVINAS: UM EQUÍVOCO MONSTRUOSO

Há 28 anos, em 2 de abril de 1982, as tropas da ditadura militar argentina invadiam o arquipélago das Malvinas - Falklands, para os britânicos - provocando uma reviravolta no sistema de alianças geopolíticas da Guerra Fria. Os argentinos receberam o apoio óbvio das ditaduras militares de direita, como a do Brasil, mas também de esquerda, como a de Cuba - em nome do "anti-imperialismo". Os Estados Unidos, rasgando os acordos interamericanos como o TIAR, apoiaram os britânicos. Em Buenos Aires, milhares de pessoas ocuparam o lugar das Madres na Plaza de Mayo para manifestar apoio ao general Leopoldo Fortunato Galtieri, o Napoleão de opereta que planejara a aventura para salvar o regime que se decompunha. Lembro-me de cenas inacreditáveis, kafkianas mesmo, como ex-guerrilheiros Montoneros, recém saídos das masmorras do regime, se juntando à histeria nacionalista.
A operação foi um erro de cálculo fatal dos militares argentinos, que acreditavam que a "pérfida Albion" jamais deslocaria uma força-tarefa para as ilhas. O Reino Unido reconquistou as Malvinas depois de dois meses de combates em que os torcionários acostumados a matar civis desarmados foram humilhados pelos soldados britânicos. Os argentinos estavam tão despreparados militarmente que perderam o cruzador General Belgrano, afundado pelos britânicos, e tiveram que esconder o porta-aviões 25 de Mayo para que este não tivesse o mesmo destino. A pantomima de Galtieri custou a vida de 649 soldados argentinos e 255 britânicos e minou de vez os alicerces daquele regime sanguinário, que seria varrido do mapa naquele mesmo ano. De quebra, foi decisivo para a reeleição de Margaret Thatcher em 1983. Para mim, permanece incompreensível o apoio de certa esquerda - não apenas argentina, mas latino-americana - àquela patriotada. Falavam em "autodeterminação dos povos", mas esqueceram-se de perguntar a opinião dos kelpers, os habitantes das ilhas, que sempre se consideraram súditos de Sua Majestade Britânica. Pior: deram pouca importância às consequências de uma eventual vitória argentina - a perpetuação de um regime genocida.
Uma entrevista daquela época foi memorável: meses antes da invasão, a jornalista italiana Oriana Fallaci perguntou a Galtieri: "general, o senhor já foi a uma guerra?" Dizem as más linhas que daí nasceu o delírio do "Napoleão do Prata", que teve seu Waterloo sem jamais ter tido seus Marengo, Austerlitz e Iena.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

PARA MIM, BASTA O ESSENCIAL


O valioso tempo dos maduros

(Mario de Andrade)

Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver

daqui para a frente do que já vivi até agora.

Tenho muito mais passado do que futuro.

Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas.

As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.

Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados.

Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram,

cobiçando seus lugares, talentos e sorte.

Já não tenho tempo para conversas intermináveis,

para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.

Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas,

que apesar da idade cronológica, são imaturos.

Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram

pelo majestoso cargo de secretário geral do coral.

As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos.

Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos,

quero a essência, minha alma tem pressa...

Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado

de gente humana, muito humana,

que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita

antes da hora, não foge de sua mortalidade...

Só há que caminhar perto de coisas e pessoas de verdade.

O essencial faz a vida valer a pena.

E para mim, basta o essencial.