quinta-feira, 19 de julho de 2012

A ESCOLA FRANCESA DE TORTURA


General Paul Aussaresses

O documentário Esquadrões da morte: a escola francesa, da jornalista francesa Marie-Monique Robin, mostra que, ao contrário do que imagina o senso comum, foi a França – e não os EUA – quem criou as táticas de contrainsurgência e a prática de torturas contra prisioneiros que seriam aplicados sistematicamente pelas ditaduras militares na América Latina. Humilhados e expulsos da Indochina em 1954 pelo Vietminh, os franceses passaram a estudar as táticas guerrilheiras de Mao Tsé-tung para combater a resistência argelina à dominação francesa, comandada pela Frente de Libertação Nacional (FLN).Um dos principais oficiais envolvidos com esses métodos é o general Paul Aussaresses, de 94 anos, que há alguns lançou um livro defendendo a tortura.  

Robin descreve que a experiência e a prática francesas de jogar pessoas de pés e mãos atados no mar não é invenção dos oficiais argentinos e as piores crueldades cometidas contra a resistência são um aprendizado made in France. Uma exposição de como os paraquedistas franceses desenvolveram esses métodos na Argélia foi feita no filme A Batalha de Argel, de Gillo Pontecorvo. Mas como De Gaulle desistiu de manter a Argélia francesa a todo custo – o país conquistaria sua independência em 1962 – e os EUA começavam a se atolar no Vietnã, a expertise da contrainsurgência foi assumida pelos americanos.   

E eles aperfeiçoariam e espalhariam essas técnicas a partir da Escola das Américas, estabelecida no Panamá em 1946. A “escola dos assassinos”, como ficaria conhecida, ensinava a militares latino-americanos treinamento em golpes de Estado, guerra psicológica, intervenção militar e técnicas de interrogatório – eufemismo para tortura. Os brasileiros foram tão bons alunos que até exportaram essas técnicas para seus vizinhos. Mas a primazia foi da pátria da Liberdade, Igualdade e Fraternidade... 


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