quarta-feira, 18 de abril de 2012

EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO?


Claude Hollande: mudança, agora ou nunca 

Depois do grande Jean Jaurès (1859-1914), os socialistas franceses se enlamearam apoiando a pátria na Grande Guerra (1914-1918), mas ainda viveriam seu canto de cisne, a vitória do Front Populaire em 1936. Atacado por todos os lados, o governo liderado por Léon Blum obteve poucas conquistas, com destaque para a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais. No plano internacional, o Front Populaire não teve força política sequer para ajudar os republicanos espanhois acossados pelos fascistas de Francisco Franco. E depois da Segunda Guerra, o socialismo francês ruiu miseravelmente, com seus líderes apoiando a vergonhosa guerra colonial na Indochina e na Argélia. A eleição de François Mitterrand em 1981 trouxe a ilusão do resgate dos valores socialistas – pelo menos eles aboliram a pena de morte –, mas ela se dissipou rapidamente diante da blitzkrieg neoliberal de Thatcher e Reagan. Desde então, o socialismo francês se contentou com a perspectiva de fortalecer a união europeia para conter a Alemanha dentro dela. Mas o projeto, ao contrário, fortaleceu a hegemonia de Berlim e ameaça transformar democracias soberanas em protetorados da banca internacional. Hoje, prestes a voltar ao poder, o PSF está diante do dilema de reinventar a práxis da esquerda ou cair na vala comum dos “socialistas liberais” da Espanha, Portugal, Alemanha e Itália.


Abaixo, a trajetória de Jaurès publicada pelo site Operamudi


1904 - Jean Jaurès funda o jornal socialista L'Humanité


Político seria assassinado por se opor a um confronto armado entre França e Alemanha

Do site Operamundi

Nascido numa família burguesa de Castres, esse professor de filosofia que lecionava no Liceu Laperouse, de Albi, era um homem de extraordinária cultura. Helenista e fluente em alemão, conseguia ser um tribuno sem par, de palavras carinhosas e generosas.


Após tímido ingresso na política, em Toulouse, é convocado para auxiliar os mineiros de Carmaux, que haviam entrado em greve em 1892 para defender um dos seus companheiros. Acabou sendo licenciado depois de ter sido eleito prefeito da cidade.


Jaurès, por meio de seus artigos no jornal La Dépêche (O Despacho) e dos inflamados discursos, tomou partido dos mineiros contra o governo, travando a batalha em nome da liberdade do trabalho. Revela o tipo de luta de classes daqueles operários e, assim, conquista o apoio que lhe propiciaria uma cadeira de deputado socialista.


Humanista e democrata, o tribuno defenderia Alfred Dreyfus e se oporia, dentro do Partido Socialista, aos marxistas ortodoxos Jules Guesde e Édouard Vaillant. Jornalista talentoso, alcança grande sucesso com o L'Humanité.


Com uma tiragem de 140 mil exemplares, a nova publicação não tarda em reunir ilustres colaboradores como Leon Blum, Anatole France, Aristide Briand, Jules Renard, Octave Mirbeau, Tristan Bernard e Henri de Jouvenel.

Contudo, alguns meses depois da criação do jornal, o congresso de Amsterdã da Internacional Socialista reprova toda forma de colaboração dos socialistas com os partidos burgueses. É uma vitória para Jules Guesde.


No Congreso do partido de Paris, em abril de 1905, Jean Jaurès se filia com armas e bagagens ao novo partido socialista de Jules Guesde: a SFIO (Seção Francesa da Internacional Operária), do qual o L'Humanité se torna rapidamente o porta-voz.

Jaurès, que finge se inclinar ao comando de Guesde, não se dá por vencido. Ao lado de Édouard Vaillant, consegue retomar a direção da SFIO e impõe uma orientação reformista ao partido.


Ele prosseguiria com seu combate oratório em favor dos trabalhadores na Câmara de Deputados, mas também atacaria a política colonial da República e trabalharia em favor de uma reconciliação franco-alemã.

Essas orientações temerárias lhe valem o ódio dos revanchards (revanchistas), que almejavam um contra-ataque à Alemanha depois da derrota na guerra de 1870 e que o classificam de ingênuo a traidor da pátria.


Em 31 de julho de 1914, dois dias antes da Grande Guerra, um desequilibrado de nome Raoul Villain dispara um tiro de revólver contra Jaurès, sentado a uma mesa do Café du Croissant. Ele gritava que o parlamentar se opunha à mobilização geral e à guerra iminente contra a Alemanha.


Jean Jaurès: tribuno, pacifista e reformista

No mês seguinte, os socialistas Jules Guesde e Marcel Sembat entram no governo de União Sagrada para ajudar a conduzir a guerra contra a Alemanha.

O assassino de Jaurès seria, após a guerra, julgado e absolvido. Em 24 de novembro de 1924, depois da vitória da coalizão das esquerdas nas eleições legislativas, os restos mortais da vítima seriam solenemente transferidos para o Panthéon.

A SFIO seria objeto da divisão entre os partidários e opositores de Lenin. Em 29 de dezembro de 1920, no Congresso de Tours, a maioria de seus militantes se filiaria ao novo Partido Comunista Francês e o L'Humanité se tornaria seu órgão oficial. Léon Blum permaneceria no comando da SFIO, assumindo a guarda da velha casa até a vitória do Front Populaire nas eleições legislativas de 1936. Seria uma forma de revanche póstuma de Jean Jaurès.

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